Um resgate da Maria Erótica
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de setembro de 2010
Diogo Bercito<BR>Folhapress 
Bunda, só de lado. Seio, somente um. E sem mamilo. Pelos pubianos, nem pensar. O trabalho dos editores de revistas pornográficas durante o regime militar (1964-1985) incluía adaptar-se a decretos oficiais e a orientações informais de censores.
Em ''Maria Erótica e o Clamor do Sexo'', do jornalista Gonçalo Junior, essas décadas são contadas do ponto de vista dos quase anônimos, partindo de pequenas editoras como a Edrel (1966-75) e a Grafipar (1972-1984).
A pesquisa começou em 1993 como projeto de conclusão de curso na Universidade Federal da Bahia. Aos poucos, o autor reuniu um acervo de 5.000 títulos. ''É um esforço de resgatar os que lutaram contra a ditadura e ficaram à margem'', diz Gonçalo. ''Há o preconceito de que são revistas que não prestam, por ser 'de mulher pelada''', acrescenta. Mas a visão dele é outra. ''Esse é um livro sobre política. Sexo era visto como coisa de comunista, subversivo.''
Entre os títulos estudados, estão gibis como ''O Incrível (e Bem-Dotado) Hukão'', sobre o homem com o maior pênis do mundo, e o ''Super-Gay'', sátira homossexual. Mas o destaque é ''Maria Erótica'', do saudoso Cláudio Seto (1944-2008). Ingênua e sensual, a Maria Erótica do título ''era a mulher que surgia na época: desinformada e perdida em um furacão sexual''.
Serviço
- Maria Erótica e o Clamor do Sexo''
Autor - Gonçalo Junior
Editora - Peixe Grande
Quanto - R$ 69,90 (496 págs.)


