É a vez do caçula da turma. Paulo Briguet, 32 anos, dá sequência hoje à temporada de lançamentos da coleção ''Crônicas de Londrina''. O jornalista e escritor autografa seu livro ''Repórter das Coisas'', na Biblioteca Pública de Londrina.
O livro, que traz texto de apresentação de Domingos Pellegrini e prefácio de Nelson Capucho, reúne textos publicados nos últimos cinco anos na Folha de Londrina, O Popular e no site Advocacia Scalassara. O autor é um dos mais talentosos jornalistas da nova geração, herdeiro da tradição de intelectuais da imprensa que aliam ampla formação cultural com militância política.
Briguet é paulista, mas mora em Londrina há 12 anos. ''Repórter das Coisas'' é seu segundo volume de crônicas. Em 1996, publicou em parceria com seu pai a coletânea ''Diário de Moby Dick''. O gênero é, segundo ele, o que melhor traduz suas inquietações. Briguet também escreve poesia. Tem, inclusive, um livro de versos pronto na gaveta sem qualquer previsão de quando será publicado.
''Tudo o que escrevo tende a virar crônica, que é o estado natural da minha escrita e onde me sinto em casa'' diz. ''Mas vejo uma transição, uma metamorfose entre a prosa e a poesia em alguns de meus textos. Acho que, às vezes, uma crônica pode conter elementos de poesia, romance e conto. Aliás, já escrevi um conto a partir de uma crônica''.
A veia literária vem da adolescência, mas foi intensificada na passsagem para as redações de jornal. ''Virei um repórter das coisas que são descartadas pelo jornalismo diário'' diz, explicando o título do livro. ''Comecei a me intrigar com aquilo que o jornal deixava de fora. Passei a observar a série de imagens, personagens e frases que era cotidianamente excluída de suas páginas. Foi aí que percebi que havia riqueza no lixo, que havia beleza nesse material rejeitado. Daí, dediquei-me a imaginar e inventar situações a partir dos fatos reais''.
Uma das crônicas publicadas no livro, ''Pergunte ao Florista'', foi inspirada por uma imagem captada pelo fotógrafo da Folha Dorico da Silva. ''A foto mostrava um rapaz carregando flores numa bicicleta. Desenvolvi o texto imaginando para onde o florista poderia ir'' revela. Uma outra crônica, ''O Fantasma da Higienópolis'', foi escrita no calor do fechamento de uma edição. Era um dia morto na semana entre o Natal e o Ano Novo de 1997. Não havia pautas quentes no dia. Briguet registrou linhas saborosas sobre um habitante improvável da famosa avenida, que consegue ser paralela e perpendicular ao mesmo tempo. Crônicas elaboradas em terminais de redação, porém, são raras. Ele lembra que os textos literários e os textos jornalísticos obedecem a ritmos distintos.
''O tempo da escrita literária é diferente do tempo da imprensa, que segue o tempo industrial'' assinala. Segundo ele, o contraste seria uma das causas da escassez de crônicas nos jornais brasileiros. ''As próprias palavras adquirem significados diversos em cada contexto, conforme são retidas pelo tempo'' acrescenta.
''Se uma manchete de primeira página diz 'A bolsa caiu', na certa é a bolsa de valores. Se o cronista diz 'A bolsa caiu', terá sido a bolsa da garota que passa pela esquina da Piauí com a Souza Naves. O mesmo ocorre em relação à palavra mercado. Num jornal, daria a idéia de mercado de ações. Já numa crônica, o sentido seria o do mercado da esquina''.
Influenciado por ilustres da crônica brasileira como Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Nelson Rodrigues e notáveis da literatura russa como Tolstoi, Tchechov e Dostoiévski Paulo Briguet confessa-se lisongeado em integrar a coleção ''Crônicas de Londrina''. Modesto, afirma que é o perna-de-pau em meio a tantos nomes consagrados da imprensa local.
''Sou o Serginho Chulapa da seleção de 82. Fico lá na frente tentando fazer uns golzinhos ao lado de Zico, Sócrates, Falcão e os outros craques'' brinca. Atualmente, ele escreve semanalmente no site www.scalassara.com.br, além de redigir e apresentar a coluna de crônicas ''O Mundo é Pequeno'', na rádio Universidade FM. Prepara ainda o livro de memórias de Jolinda Fenelon Gouveia.
Além de Briguet, a coleção ''Crônicas de Londrina'' inclui volumes de Jota Oliveira, Nelson Capucho, Edson Vicente, Apolo Theodoro e Lélio César. Estão previstos ainda títulos de João Arruda e Walmor Macarini. A série foi publicada pela Imprensa Oficial do Paraná em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e tem apoio da Sercomtel.
Hoje, durante a sessão de autógrafos, o lançamento do livro contará com canjas musicais de Cristina Tonin, Eduardo Brancaleon, Bernardo Pellegrini (Secretário Municipal de Cultura) e do próprio autor.
Serviço: Lançamento do livro ''Repórter das Coisas'', de Paulo Briguet. Hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública de Londrina. O lançamento conta com canjas musicais.

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