Um registro histórico em imagens primitivas
A Serra do Cipó não abriga somente belas cachoeiras, vales floridos e uma fauna rica e abundante. Também há história: pinturas rupestres, encontradas por desbravadores às margens da Represa da Lapinha. Pintadas em vermelho e preto, as imagens têm entre 8 e 15 mil anos. ''Aqui eram feitas oferendas e cultos de adoração. Os moradores dessa região também pintavam o que queriam que ocorresse, como a fertilidade de suas esposas ou sucesso nas caçadas'', explica o guia turístico Lilo.
As imagens não ultrapassam os 50 centímetros. Há peixes, veados, mulheres grávidas e guerreiros. Lilo diz que os desenhos foram feitos quando a represa não existia, e a vegetação era outra na região. ''A represa apareceu depois da criação da represa da Lapinha. Antes, todo este vale era mato.''
A poderosa tinta, que resistiu por tanto tempo às mudanças climáticas, era feita de óleos naturais, extraídos de sementes, conta o guia. Conservação não há, apenas uma placa de madeira, pousada no chão, onde se pede aos turistas que não mexam ou tentem levar uma lasca da pedra.
Rituais Dizem ainda que, no Cipó, encontram-se os rituais de sepultamento mais antigos do mundo. Eles vêm sendo estudados pelo Departamento de Arqueologia do Museu de História Natural da Universidade Federal de Minas Gerais.
Na serra, a preservação, no momento, são os olhos atentos de seus guias. A visitação das artes rupestres na Lapinha, aliás, é uma aventura por si só.
Como ficam em propriedade particular - na região da Lapinha, a compra e venda de terrenos é acertada através de contratos quase fictícios e muitas vezes o ''dono'' do pedaço só tem o trabalho de cercar sua propriedade - é preciso alugar o barco da família para vê-las.
Por R$ 5,00, o barqueiro atravessa a represa até as pedras onde ficam as pinturas. O turista tem ainda de andar por quase um quilômetro e escalar algumas pedras. Mas vale o esforço. (M.T.)





