Um rebelde, filho da burguesia
Em 4 de abril de 1958, Sexta-Feira Santa, nascia Agenor de Miranda Araújo Neto. Nome pouco significativo, a princípio. Isso até associarmos o nome ao apelido: Cazuza. Quando descobriu que Cartola também se chamava Agenor, Cazuza se conformou com sua sorte.
Filho da burguesia, se rebelou contra ela na adolescência, vestindo calças rasgadas, camisas surradas e sandálias de dedo. Envolveu-se com drogas e bebidas. Seu relacionamento com os pais beirou o insuportável, até eles aceitarem a maneira de Cazuza agir, com seus defeitos e suas manias.
Cresceu rodeado por grandes nomes da MPB, como Elis Regina, Caetano Veloso, Gil, entre tantos outros. Tentou ser fotógrafo, morou nos Estados Unidos, fez curso de teatro até surgir a oportunidade de fazer parte de um grupo chamado Barão Vermelho, aos 22 anos. Na mesma época em que a banda fazia sucesso, Cazuza começou a apresentar os primeiros problemas de saúde.
Saiu do Barão e, em 1985, lançou o primeiro disco-solo, ''Exagerado''. Dois anos depois, veio a confirmação da aids. Após saber que tinha a doença, Cazuza, que até então já vivia intensamente, passou a ter mais pressa. Produziu muito, mesmo durante os períodos de internação. Morreu em 7 de julho de 1990, aos 32 anos.
''Queria que meu filho fosse um executivo, se casasse, tivesse filhos, como aconteceu com os filhos de minhas amigas'', diz Lucinha, emocionada. ''Mas elas nunca tiveram um filho genial como eu tive.''(A.D.R./AE)





