Um raio X dos chefes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Morando num edifício onde tinha muita gente solteira, a ex-publicitária Maria Cristina Von Atzingen ouviu tantas queixas femininas que acabou sendo co-autora de Caçando Príncipes e Engolindo Sapos. Isso foi há três anos. O livro deu tão certo que depois veio Procurando Princesas e Encontrando Bruxas, pela editora Bertrand Brasil, que seria, por assim dizer, o lado masculino do livro anterior. Emplacou de novo.
Agora Cristina está lançando Chefe Todo Mundo Tem, que segue a mesma linha da crítica social, envolta no bom humor. A autora não perde a oportunidade de botar o dedo na ferida. Tomando a crise econômica como escudo, tem muito chefe tirando a pele do funcionário, acenando com o fantasma do desemprego.
Assim, obriga o coitado a fazer hora extra de graça, ou então acaba por nem registrá-lo em carteira. Se o infeliz não quiser, tem centenas de outros se oferecendo para ocupar a vez. Ao leitor que diariamente rumina sua insatisfação com os superiores, um alento: lendo o livro ele percebe que não é o único sofredor. Muitas pessoas estão no mesmo barco, explica a autora.
Nas 92 páginas de Chefe Todo Mundo Tem, há exemplares de todos os tipos. Entre esses tem a chefe mulher, o tarado, o neurótico, ausente, dependente, sabe-tudo, democrata, bonitão, ignorante, desconfiado, fingido, egoísta. Maria Cristina assume que este último lançamento é totalmente catártico. Escrevi-o com base na minha experiência pessoal. Ele é terapêutico. Põe para fora todos os monstros. Aproveitei para mandar a vários chefes.
O volume inclui até o presidente Fernando Henrique Cardoso, o chefão de todos nós. Comenta a escritora que o trabalhador brasileiro é vitalício, ou seja, aqui trabalha-se até morrer. Não há espaço para o descanso, o lazer no fim da vida. O presidente é um patrão que a gente tem que pedir para cuidar bem da empresa que a gente chama de Brasil.
Os empregados que se vinguem enquanto há tempo, porque em março de 1999 chegará ao mercado o outro lado da questão. Aí o empregado é que estará na mira de Cristina Von Atzingen. O chefe também tem direito de reclamar; muitas vezes ele depende da boa vontade do funcionário, e o funcionário está ali só para cumprir o horário do expediente. Não dá bola se a situação está difícil para a empresa ou não.


