Um presidente duro de matar
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha2 
Gary Oldman e Harrison Ford: confronto em filme que vende a imagem da soberania norte-americanaQuem, se não o campeão de bilheterias e número um na preferência de espectadores de todo o mundo para interpretar o dirigente supremo da maior nação cinematográfica do planeta? Quem mais, além de Indiana Jones, para garantir agora nos ares a soberania norte-americana? Se o presidente se tornar um homem de ação, melhor que este homem seja Harrison Ford, diz o diretor Wolfgang Peterson, alemão revelado em 81 com o autoral Das Boot / O Barco - Inferno em Alto Mar e, como sempre, cooptado por Hollywood e logo um competente estrangeiro a mais agregado à linha de montagem industrial - Inimigo Meu, Na Linha de Fogo, Epidemia.
O fato de Harrison Ford ser o confiável ator de personagens que começam aparentemente suaves e por força de circunstâncias se transformam em duros, fortes e carismáticos, além de vestir com veracidade o papel de cidadão exemplar também nos bastidores, pesou decididamente para que ele liderasse o elenco de Força Aérea Um (veja a programação de cinema na página 5). Com o precedente de Independence Day, em que Bill Pullman decide pegar os alienígenas à unha, qualquer próximo presidente ameaçado na tela teria que trilhar o mesmo caminho.
ArquiinimigoNo caso de Air Force One, não se trata propriamente de alienígenas, mas de certa forma é como se fossem. O roteirista estreante Andrew Marlowe estranhamente rema contra a maré quando arregimenta um punhado de terroristas russos e os coloca como inimigos mortais do presidente James Marshall. No filme eles aparecem na pele de anacrônicos radicais da mais encarquilhada esquerda russa. Disfarçados como jornalistas, tomam de assalto o Boeing presidencial e passam a exigir a libertação de um general que andou rapinando o já esbulhado país. O único ponto da história que pode de fato interessar a quem busca alguma coisa além de emoções de um frenético filme de ação e aventura é o enfoque que se pretendeu dar ao terrrorismo. Política e pessoalmente contrário à negociação, Marsall-Ford opta pela reação que a platéia anseia: sair no braço com os bandidos aéreos, em especial o terrorista Korchunov, elaborado com os requintes de perversidade que Gary Oldman vem imprimindo cada vez mais a seus melhores vilões - Amor à Queima-Roupa, O Sangue de Romeu e O Quinto Elemento.
Retaguarda de ferroEm certos casos não basta só ser presidente destemido. É preciso também ter uma retaguarda absolutamente fiel, já que é nas grandes emergências que se conhecem os vices. Quem responde pelos Estados Unidos enquanto Marshall está por conta dos terroristas é a dama de ferro Glenn Close, a experiente vice-presidente Bennett. O rumo polêmico do sequestro - ceder ou não às exigências - será decidido pelos dois.
Outra vedete de Air Force One é o Boeing-747 que dá título ao filme, a Casa Branca nas alturas. O avião presidencial, inteiramente remodelado e muito mais do que um meio rápido e seguro para transportar o presidente e sua família - a propósito, estão todos a bordo -, é uma veneranda espécie de símbolo nacional, quase uma instituição. Com certeza é uma das explicações para a ótima performance de bilheteria que o filme vem tendo desde sua estréia americana, há exatamente um mês. Segundo Harrison Ford, que visitou o Air Force One de verdade, o avião é fascinante e não há nada dessas coisas que só o presidente pode tocar ou apertar, como esses botões nucleares.
De qualquer maneira, se a Columbia quiser repetir a dose, vai ter que pensar em outro título. Air Force One Two vai ficar um pouco demais...


