Um prêmio ao talento
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de fevereiro de 2003
France Presse 
A atriz francesa Anouk Aimée, estrela de filmes como A Doce Vita e Oito e Meio, de Federico Fellini, e de Um homem, uma mulher, de Claude Lelouch, recebeu na quinta-feira o Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim por sua vida consagrada ao cinema.
Françoise Sorya Dreyfus, verdadeiro nome de Anouk Aimée, nasceu no dia 27 de abril de 1932 em Paris, em uma família de atores. Seus pais, Genevieve Sorya e Henri Dreyfus, cuidaram desde cedo da formação da filha. Ela se formou no balé da ópera de Marselha e em escolas de Artes Dramáticas de Londres e Paris. Aos 14 anos, estreou no cinema interpretando personagens de beleza exótica em diversos filmes.
Quando fiquei diante de uma câmera pela primeira vez, em 1946, no filme La maison sous la mer, de Henri Calef, minha personagem se chamava Anouk, pensei que poderia ser um bom pseudônimo, disse. Algum tempo depois, quando conheceu o diretor Jacques Prévert, ele lhe deu a idéia de acrescentar ao nome artístico um adjetivo que indicasse que ela era realmente uma pessoa muito querida, querida por todos, bem amada.
O diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, entregou o prêmio à atriz antes da exibição de Lola, A Flor Proibida (1960), de Jacques Demy, um dos filmes preferidos de Anouk Aimée.
Durante a homenagem, foi exibida uma retrospectiva com diversos filmes da atriz, incluindo Os Amantes de Montparnasse, de Jacques Becker, e o impactante Laços Eter (1967), de André Delvaux, sobre as diferenças de idioma e culturais entre flamengos e valões na Bélgica.
Com Fellini, com quem filmou A Doce Vita (1960) e Oito e meio (1963), Aimée começou a desejar o trabalho cinematográfico. Na Itália a profissão era menos arrogante que na França. Eu disse isso na época e acredito que o mundo cinematográfico francês não recebeu bem a frase, lamentou. É que com Fellini todos trabalhávamos de forma exaustiva, mas lembro daquela época como a de uma única e gigantesca risada.
Sobre Um Mulher e Uma Mulher (1966), de Claude Lelouche, que continua sendo o filme mais premiado da história do cinema francês, a atriz disse me deixa perplexa, ainda hoje. Era um filme com um orçamento muito pequeno, filmado em apenas três semanas, mas cada uma das 13 pessoas que integravam a equipe sentia que havia algo novo e extraordinário, sem saber exatamente o que era.


