Um prato típico para Londrina
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quinta-feira, 31 de julho de 2014
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A constatação de que Londrina não tinha um prato típico deixou o gastrólogo Joel Rezende incomodado. Atuando no ramo da culinária há 21 anos, ele decidiu investir seus conhecimentos no mundo gastronômico para mudar essa realidade. Ao relembrar as histórias compartilhadas com George Craig Smith, um dos pioneiros da cidade, surgiu a ideia de criar uma receita inspirada nos hábitos alimentares dos colonizadores do município. Foi assim que há dois anos nasceu a catita, um creme de feijão vermelho com charque desfiado servido com carne de porco, frango assado, mandioca, palmitos e folhas verdes como acompanhamentos.
Gastrólogo formado pela Unifil, Rezende comenta sobre a inspiração que teve para criar a receita. "Em uma aula de história da alimentação um dos professores falou que Londrina não tinha um prato típico por não ter uma história gastronômica. Isso me incomodou pois quando cheguei na cidade, em 1975, dividi o quarto por nove anos com Mr. George Craig Smith, paulista descendente de ingleses e de pioneiro que comandou a primeira expedição de colonização ao município. Conversávamos muito e a gastronomia não ficava de fora dos nossos bate-papos. Lembrando disso constatei que existia, sim, uma história ligada à culinária local a ser contada".
Rezende conta que, naquela época, Smith morava na pensão que pertencia à família do paranaense. "Sentávamos juntos para fazer as refeições preparadas pela minha mãe. E todas as vezes que o caldo do feijão ficava mais vermelho, o Mr. Smith comentava que a cor lembrava o barro e a terra vermelha típica de Londrina. É por isso que a catita tem uma cor avermelhada", argumenta.
O gastrólogo salienta que os demais ingredientes utilizados na preparação do prato e nos acompanhamentos também remetem à época da colonização. "Naquele época as carnes de gado só eram vendidas em forma de charque, pois não havia refrigeração para mantê-las saudáveis durante o transporte de outras regiões para cá, que poderia durar dias. Então inclui carnes de frango e porco, além de verduras e legumes que eram facilmente encontradas em Londrina desde aquela época, como mandioca, palmitos e folhas verdes", salienta Rezende ao informar que confirmou as referências em pesquisas realizadas junto a outros pioneiros. Já o nome do prato lembra o caminhão que trouxe muita gente para estas terras e que acabou se transformando em uma jardineira", contextualiza.
Após realizar degustações do prato em eventos que reuniram milhares de pessoas em Londrina, Rezende negocia a comercialização da catita junto a alguns restaurantes da cidade. "Todo mundo que provou a receita elogiou bastante o prato. No momento, nenhum estabelecimento serve a catita pois somente eu tenho a receita. Espero que ela seja servida em um ambiente que remeta à época da colonização. Também penso em prepará-la para os colonizadores que ainda estão vivos. Estou tentando fazer contato com a Secretaria Municipal de Cultura para tentar promover um evento que reúna os pioneiros", revela o gastrólogo, que mantém em segredo a receita que criou.


