Um pouco de história
Os habitantes primitivos da Ilha, de aproximadamente 3.900 anos atrás, eram os Homens dos Sambaquis, seminômades, viviam da coleta de alimentos, de caça e principalmente dos produtos do mar. Não conheciam a agricultura. Os Sambaquis existentes na Ilha foram destruídos para a construção de estradas e construção civil, eram montes formados por acúmulos de conchas, provavelmente construídos para enterrar os mortos, ou para rituais religiosos ou rituais festivos.
Os índios Tupi originários da Ásia, cerca de 2.000 anos atrás não moravam na Ilha mas vinham tomar banho de mar e apanhar sal. Moravam no Planalto, hoje São Paulo. Os Tupi deram o nome: Ilha de Guaibê ou Guaru-ya. Guaibê significa Lugar de Caranguejo ou Cipó de Amarrar, Guaru-ya significa Passagem Estreita ou Viveiro de Sapos ou Rãs.
Os primeiros colonizadores portugueses ao chegarem à região trouxeram outra pronúncia ao nome Guaru-ya, que passou a ser Guarujá. José Adorno, ao construir uma capela em 1544 na região, em homenagem a Santo Amaro, deu o nome definitivo a Ilha que abrigava Guarujá.
Entre as décadas de 1970 e 1980 Guarujá cresce descontroladamente. Toda a orla da cidade entre a praia do Tombo e Pernambuco é ocupada por diversos loteamentos e edifícios, sem a necessária contraparte de infra-estrutura. O Milagre Econômico dos anos 70, a construção da Rodovia Piaçaguera-Guarujá, ligando a ilha diretamente à Via Anchieta e em menor grau as novas rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga (possibilitando o acesso ao Vale do Paraíba e Litoral Norte) provocam a explosão do turismo e da migração para a ilha. A qualidade ambiental vai caindo, com a poluição das águas, a ocupação de áreas sensíveis como morros e mangues e o número cada vez maior de turistas, moradores e migrantes sobrecarregam o Guarujá.
A situação se torna crítica no final da década de 80 e início de 90, quando milhões de turistas visitam a ilha todos os verões, provocando o colapso da infra-estrutura do Guarujá, com cortes de eletricidade, falta de água e poluição das praias. Extensas áreas do município são ocupadas por favelas, habitadas pelos migrantes em buscas de novas oportunidades e a criminalidade toma corpo. O cenário caótico leva a uma profunda crise no turismo e na economia do Guarujá, que perde turistas e investimentos para o Litoral Norte e até mesmo para outras cidades da Baixada Santista.
A segunda metade da década de 1990 vê uma recuperação progressiva do balneário, com investimentos em saneamento, habitação, infra-estrutura e até mesmo efeitos benéficos da divisão do total de turistas com outras regiões, causando menor sobrecarregamento na cidade. Paulatinamente a cidade começa a receber novos investimentos e começa a desenvolver o turismo de negócios e a prestação de serviços, visando a expandir sua base econômica e se tornar menos dependente do turismo sazonal. (D.G.J.)





