Um ponto de convergência no deserto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 1997
Antônio Mariano Júnior 
Mario CesarKaren Debértolis e Fernanda Magalhães: à procura de patrocínio para A Estalagem das AlmasNo meio do deserto tinha uma estalagem. Tinha uma estalagem no meio de um deserto qualquer, num tempo qualquer, num lugar qualquer. E é para lá que se dirigiram 13 personagens sem nomes e sem rosto - são homens, mulheres, gente nova, gente velha, casal... Em comum, uma tempestade de areia que passou por suas vidas e que em cada um imprimiu um fato. Assim é, em suma, o livro A Estalagem das Almas que está sendo preparado pela jornalista, poeta e escritora Karen Debértolis, em conjunto com a fotógrafa Fernanda Magalhães.
O livro deve estar concluído até o final do ano. Trata-se de uma produção independente. Mas as autoras estão tentando conseguir um patrocínio de R$ 5 mil que possibilitaria uma tiragem inicial de 500 exemplares. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (043) 337-3766.
A linguagem de A Estalagem das Almas é semelhante ao trabalho anterior de Karen - Calidoscópio, lançado em 95. Ou seja, é encharcado de realismo fantástico com texto em prosa saturado de poesia. A diferença é que o novo trabalho tem uma narrativa conduzida por personagens que falam de si e de suas sensações. Há história, enfim. A estalagem, para essas pessoas, é um último refúgio. Elas contam como chegaram ali e, a partir disso, vão se criando situações psicológicas- explica Karen Debértolis.
O livro não tem capítulos; tem quartos. Em cada aposento, um sentimento e/ou lembranças que cada personagem tem - ódio, amor, medo, sedução, infância, entres outro, narrados na primeira pessoa. Entre os hóspedes, um fotógrafo, um escritor, um casal em crise, um ex-comandante de guerra, um meteorologista, entre outros. Além da tempestade de areia, todos têm um outro ponto em comum: a perda de coisas simples, como o amor e a relação com a natureza, por exemplo.
Quem abre o livro é O Estalajadeiro (ver texto nessa página), o proprietário do imóvel que dá abrigo a essas 13 almas que lá foram parar. Minha intenção é fazer com as pessoas reflitam na suas própria realidade. Que se identifiquem com as personagems mesmo que algumas situações do livro sejam colocadas de maneira exagerada- diz Karen.
Narrativa visualÀ fotógrafa Fernanda Magalhães caberá traçar o perfil psicológico dos personagens através da imagem dos quartos. E isso através de fotos em preto e branco. As locações ainda não estão definidas. A intenção é que cada quarto reflita, através de objetos pessoais e de características próprias do aposento, a personalidade de cada um dos hóspedes.
Diz ela: Não vou transformar o texto da Karen em foto. É óbvio que vou me inspirar na emoção do texto mas eu, na verdade, vou fazer uma narrativa visual que será mais um complemento do que um antagonismo. De uma coisa a fotógrafa garante: vai dar para criar bastante, já que o texto de Karen Debértolis trabalha muito com imagens.
Fotógrafa profissional há 11 anos, Fernanda já trabalhou em diversos jornais e revistas, alguns de abrangência nacional. Além disso, ela já participou de várias mostras coletivas e individuais. No ano passado, recebeu o prêmio Marc Ferrez, concedido pela Funarte, por causa do projeto A representação da mulher gorda nua na fotografia, que será exposto em maio, na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde.


