Um poeta todo prosa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de maio de 2002
Nelson Sato Reportagem Local 
Nelson Capucho lança hoje o livro O Jardineiro de Flores Estranhas que integra a coleção Crônicas de Londrina
A prosa fisgou o poeta Nelson Capucho. Preciosista dos versos, ele lança hoje a coletânea de crônicas O Jardineiro de Flores Estranhas em noitada que inclui sessão de autógrafos, leituras e canja musical na Biblioteca Pública de Londrina.
O evento começa às 20 horas. O livro é seu primeiro projeto editorial no gênero, embora a idéia de editá-lo não tenha sido sua, mas da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná. O volume integra a coleção Crônicas de Londrina, da qual faz parte outros 7 autores locais.
O texto de apresentação é de Domingos Pellegrini e o prefácio de Marcos Losnak. Capucho garimpou 30 textos, todos publicados originalmente e em diferentes épocas no jornal Folha de Londrina. A única exceção é Irmãozinhos, incluído no livro didático Língua Portuguesa Comunicação Oral e Escrita, da professora Rose Sordi.
O texto mais antigo é de 1989 e o mais recente de 1999. Nunca dei muita importância às crônicas conta ele. Sempre me dediquei à poesia. Quando veio o convite para participar da série, tive que resgatar boa parte de meus escritos no arquivo da Biblioteca porque não tinha todos guardados. Aliás, fui obrigado a procurar até a produção da última safra, já que a grande maioria dos textos havia se perdido com o incêndio que destruiu o arquivo eletrônico da Folha há dois anos.
Capucho define a compilação como uma miscelânea. O meu estilo é a falta de estilo. Pra mim, crônica sempre foi um exercício literário, além de uma diversão. Desse livro, praticamente todos os textos foram escritos na Redação do jornal diz. Por ser um gênero híbrido, a crônica pode tender tanto para o jornalismo quanto para a literatura.
O autor lembra que, ao compilar seu material, procurou excluir os textos datados para aproximar-se do segundo pólo. Alguns puristas não consideram a crônica um gênero literário assinala. Dizem que é jornalismo por tratar de eventos efêmeros. Por outro lado, os jornalistas não a vêem como um gênero jornalístico como seriam a reportagem, a entrevista ou a opinião. Para eles, é ficção. Ela fica nesse meio termo.
Além de Capucho, a coleção Crônicas de Londrina inclui obras de Jota Oliveira, Apolo Theodoro, Paulo Briguet, Lélio César, Edson Vicente (morto em 1995), João Arruda e Walmor Macarini. A série contou com verbas do Sercomtel. A coordenação editorial ficou a cargo do escritor Domingos Pellegrini e o projeto gráfico com Arthur Boligian Jr.
Apesar da incursão pela crônica, Capucho destacou-se como homem de versos. Como poeta lançou três livros Solta Chama (1980), Sundae Cogumelo (1983) e Vida Vadia (1995). Participou também de diversas coletâneas , entre elas Aos Amigos e Inimigos (1981), Em Família (1982), Feiticeiro Inventor (1986) e 12 Poetas Londrinenses (2000).
Citado em verbete da Enciclopédia da Literatura Brasileira, tem poemas musicados e gravados pelos músicos Madan e Bernardo Pellegrini. Atualmente prepara a publicação de um novo volume, previsto para chegar às prateleiras no segundo semestre desse ano. A prosa, porém, vem excitando sua imaginação nas últimas temporadas.
Ele conta que pôs ponto final numa novela de ficção, além de ter uma narrativa policial inacabada na gaveta. A primeira estaria praticamente pronta para publicação. Se fosse comparar com uma construção, eu diria que só falta a pintura revela. Outro projeto a ser tocado é uma encomenda da Secretaria Municipal de Cultura, que o convidou para participar de uma série literária dedicada a visitantes ilustres reunindo personalidades históricas e proeminentes que passaram por Londrina desde sua fundação.
A Capucho coube pesquisar a vida de Booker Pittman, pai da cantora Eliane Pittman, que viveu na cidade nos anos de sua colonização. Aí, é sua veia de jornalista que deverá ser convocada, a mesma que lhe garantiu o Prêmio Paraná de Jornalismo em 1985 e o Prêmio Volvo de Jornalismo em 1986 com a equipe da Editoria Especial da Folha de Londrina. Hoje, durante a sessão de autógrafos, o lançamento do livro será festejado com uma leitura de uma das crônicas (por Apolo Theodoro) e uma canja musical comandada por Bernardo Pellegrini, Ranulfo Pedreiro, Paulo Briguet, Cristina Tonin e Eduardo Brancalion.


