Nelson Capucho lança hoje o livro ‘‘O Jardineiro de Flores Estranhas’’ que integra a coleção ‘‘Crônicas de Londrina’’
A prosa fisgou o poeta Nelson Capucho. Preciosista dos versos, ele lança hoje a coletânea de crônicas ‘‘O Jardineiro de Flores Estranhas’’ em noitada que inclui sessão de autógrafos, leituras e canja musical na Biblioteca Pública de Londrina.
O evento começa às 20 horas. O livro é seu primeiro projeto editorial no gênero, embora a idéia de editá-lo não tenha sido sua, mas da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná. O volume integra a coleção ‘‘Crônicas de Londrina’’, da qual faz parte outros 7 autores locais.
O texto de apresentação é de Domingos Pellegrini e o prefácio de Marcos Losnak. Capucho garimpou 30 textos, todos publicados originalmente e em diferentes épocas no jornal Folha de Londrina. A única exceção é ‘‘Irmãozinhos’’, incluído no livro didático ‘‘Língua Portuguesa – Comunicação Oral e Escrita’’, da professora Rose Sordi.
O texto mais antigo é de 1989 e o mais recente de 1999. ‘‘Nunca dei muita importância às crônicas’’ – conta ele. ‘‘ Sempre me dediquei à poesia. Quando veio o convite para participar da série, tive que resgatar boa parte de meus escritos no arquivo da Biblioteca porque não tinha todos guardados. Aliás, fui obrigado a procurar até a produção da última safra, já que a grande maioria dos textos havia se perdido com o incêndio que destruiu o arquivo eletrônico da Folha há dois anos’’.
Capucho define a compilação como uma ‘‘miscelânea’’. ‘‘O meu estilo é a falta de estilo. Pra mim, crônica sempre foi um exercício literário, além de uma diversão. Desse livro, praticamente todos os textos foram escritos na Redação do jornal’’ – diz. Por ser um gênero híbrido, a crônica pode tender tanto para o jornalismo quanto para a literatura.
O autor lembra que, ao compilar seu material, procurou excluir os textos datados para aproximar-se do segundo pólo. ‘‘Alguns puristas não consideram a crônica um gênero literário’’ – assinala. ‘‘Dizem que é jornalismo por tratar de eventos efêmeros. Por outro lado, os jornalistas não a vêem como um gênero jornalístico como seriam a reportagem, a entrevista ou a opinião. Para eles, é ficção. Ela fica nesse meio termo’’.
Além de Capucho, a coleção ‘‘Crônicas de Londrina’’ inclui obras de Jota Oliveira, Apolo Theodoro, Paulo Briguet, Lélio César, Edson Vicente (morto em 1995), João Arruda e Walmor Macarini. A série contou com verbas do Sercomtel. A coordenação editorial ficou a cargo do escritor Domingos Pellegrini e o projeto gráfico com Arthur Boligian Jr.
Apesar da incursão pela crônica, Capucho destacou-se como homem de versos. Como poeta lançou três livros – ‘‘Solta Chama’’ (1980), ‘‘Sundae Cogumelo’’ (1983) e ‘‘Vida Vadia’’ (1995). Participou também de diversas coletâneas , entre elas ‘‘Aos Amigos e Inimigos’’ (1981), ‘‘Em Família’’ (1982), ‘‘Feiticeiro Inventor’’ (1986) e ‘‘12 Poetas Londrinenses’’ (2000).
Citado em verbete da Enciclopédia da Literatura Brasileira, tem poemas musicados e gravados pelos músicos Madan e Bernardo Pellegrini. Atualmente prepara a publicação de um novo volume, previsto para chegar às prateleiras no segundo semestre desse ano. A prosa, porém, vem excitando sua imaginação nas últimas temporadas.
Ele conta que pôs ponto final numa novela de ficção, além de ter uma narrativa policial inacabada na gaveta. A primeira estaria praticamente pronta para publicação. ‘‘Se fosse comparar com uma construção, eu diria que só falta a pintura’’ – revela. Outro projeto a ser tocado é uma encomenda da Secretaria Municipal de Cultura, que o convidou para participar de uma série literária dedicada a visitantes ilustres reunindo personalidades históricas e proeminentes que passaram por Londrina desde sua fundação.
A Capucho coube pesquisar a vida de Booker Pittman, pai da cantora Eliane Pittman, que viveu na cidade nos anos de sua colonização. Aí, é sua veia de jornalista que deverá ser convocada, a mesma que lhe garantiu o Prêmio Paraná de Jornalismo em 1985 e o Prêmio Volvo de Jornalismo em 1986 com a equipe da Editoria Especial da Folha de Londrina. Hoje, durante a sessão de autógrafos, o lançamento do livro será festejado com uma leitura de uma das crônicas (por Apolo Theodoro) e uma canja musical comandada por Bernardo Pellegrini, Ranulfo Pedreiro, Paulo Briguet, Cristina Tonin e Eduardo Brancalion.

mockup