Nesta quarta-feira, um brasileiro estará recebendo o prêmio Octavio Paz de Poesia e Ensaio, considerado o maior da América Latina. O poeta, ensaísta e tradutor paulista Haroldo de Campos, foi premiado pelo conjunto de sua obra, conquistando a unanimidade dos votos. A premiação será na Cidade do México.
Em ampla atividade poética desde 1950, ele já publicou mais de 30 livros de poesia, crítica, teoria e traduções. Os mais recentes, lançados no ano passado, são ‘‘Crisantempo’’ (editora Perspectiva), que ganhou o prêmio Jabuti de Poesia; ‘‘O Arco Íris Branco’’ (editora Imago), um ensaio sobre literatura universal; e ‘‘Pedra e Luz na Poesia de Dante’’ (editora Imago).
O prêmio, disputado com outros 30 poetas, veio por toda a atividade literária. Ao anunciar a decisão, o presidente do júri, José Miguel Oviedo, disse que era um reconhecimento da longa trajetória de Campos na poesia, no ensaio e na tradução, ‘‘o que significa muito na renovação das linguagens da poesia e do pensamento crítico de nosso tempo’’.
Haroldo de Campos é considerado um dos fundadores do movimento de poesia concreta no Brasil, ao lado de Décio Pignatari. Desde 1960, manteve uma estreita amizade com o próprio Octavio Paz, falecido recentemente. Paz foi influenciado por alguns aspectos do concretismo brasileiro e Campos traduziu para o português um dos livros essenciais de Paz, ‘‘Blanco’’, sob o título ‘‘Transblanco’’.
Campos explica que o livro contém grande parte da correspondência trocada entre eles, além de ensaios, assinados por vários autores, sobre a obra de Paz. ‘‘As correspondências tratam de questões estéticas’’, diz ele. Ao ser informado de que receberia o prêmio, Campos conta que se emocionou muito. ‘‘Sinto-me perto de Octavio ao receber o prêmio que leva seu nome’’, afirma.
Criado no ano passado, a primeira edição do prêmio Octavio Paz foi para o poeta chileno Gonzalo Rojas. O brasileiro é o segundo vencedor do prêmio, destinado ao universo ibérico da literatura e que paga US$ 100 mil ao vencedor.
Oviedo explica que o júri, que votou com unanimidade em Campos, não o considera um poeta brasileiro e nem latino-americano, mas absolutamente universal. ‘‘Ele vai além de todas as línguas, fazendo com elas um tecido que cria a sua própria linguagem’’, diz o presidente do júri.Arquivo FolhaHaroldo de Campos disputou com 30 poetas o prêmio Octavio PazSimone Mattos

mockup