Um poeta do olhar
UM POETA DO OLHAR
Exposição do fotógrafo Haruo Ohara será inaugurada hoje na Casa de Cultura, em Londrina
Haruo OharaLondrinensesNelson Sato
A expressão zen, aplicada a torto e a direito para saudar obras de artistas orientais, deve sair de seu casulo e voltar a circular em formato clichê com a abertura da exposição fotográfica de Haruo Ohara.
Sim, os trabalhos do recluso e talentoso Ohara finalmente chegam ao público - mas não se reduzem a rótulos-curinga, que a tudo aderem e nada explicam. Mais do que alusões superficiais, sua coleção de fotos é capaz de inspirar múltiplas conexões estéticas ao visitante atento que for à abertura da exposição hoje às 18 horas na Casa de Cultura (Praça 1º de Maio), na largada da programação paralela do Festival Internacional de Teatro de Londrina.
Haruo OharaOlhar HaruoIntitulado Olhares, o evento reúne 70 fotos em grandes dimensões na primeira exposição individual do artista, que hoje está com 88 anos. Ohara sempre foi reservado em relação à sua obra, nunca quis divulgá-la para além dos familiares, parentes e amigos. Só agora sua família se convenceu de que era hora de abrir esse tesouro para o público - diz o curador da mostra, Rodrigo Garcia Lopes.
As fotos, todas em preto-e-branco, foram organizadas por ordem temática em sequências que revelam registros documentais de cenas urbanas e rurais de uma Londrina antiga, além de composições experimentais e trabalhos onde Haruo se mostra um poeta do olhar. O roteiro da mostra traz uma seleção de cinco olhares, dispostos numa série que se repete até a última foto.
Haruo OharaCenas rurais
A sequência Londrinenses apresenta flagrantes de um fotógrafo-flanêur que sai pelas ruas da cidade com sua câmera a tiracolo. Olhar Haruo revela o artista dialogando com estilos de arte contemporânea. Cenas Rurais mostra imagens da vida simples do campo, registrando a presença humana sob céus espetaculares.
Gente constitui-se de retratos de pessoas, amigos e anônimos em situações diversas. E Mu-ga, por fim, traz fotos que se aproximam da estética oriental e em especial do haikai. A exposição, lembra o curador, oferece infinitos paralelos com as demais artes visuais. Algumas fotos revelam uma dimensão épica como os filmes de John Ford, outras lembram a série Os Americanos do fotógrafo americano Robert Frank, e outras que remetem ao expressionismo abstrato de Jackson Pollock e à Op Art - assinala Rodrigo, empolgado.
Haruo OharaGenteA exposição, que segue até o dia 19 de junho, é na verdade o pontapé inicial para uma grande homenagem ao fotógrafo. A idéia é transformá-la em exposição itinerante no Paraná e posteriormente num livro em edição trilíngue (português, inglês e japonês) que incluirá textos de profissionais do metiê de renome do Brasil e do Exterior sobre a obra do artista londrinense.





