Um poeta difícil de se ler
Sérgio Rubens Sossela é um poeta difícil de ler. Este foi o principal motivo que levou o jornalista Marcelo Fernando de Lima, 27 anos, a estudá-lo a fundo. Quando eu comecei a ler suas obras, tive mais dúvidas do que respostas, o que instigou minha curiosidade, conta.
O poeta curitibano nasceu em 1942, foi contemporâneo de Paulo Leminski na faculdade de Direito e foi juiz no interior do Paraná, nas décadas de 70 e 80. No Direito, ele já era extremamente irreverente, diz o jornalista. Seu primeiro livro, Sobre Poemas, foi publicado em 1966.
Hoje, aposentado, ele passa muitas horas de seus dias na biblioteca particular, em sua casa de Paranavaí, que conta com 30 mil volumes. Para elaborar a tese de mestrado, Lima passou três dias lá, conversando com o poeta. Ele é uma pessoa arredia, resume.
Sua poesia é fragmentada, com mesclas de surrealismo. Ele vê o mundo como uma criança, de forma desarticulada. Lima compara a poesia de Sossela ao cinema. Ela precisa da imagem, do som e do ritmo, como se fosse um filme.
Autor de cerca de 200 obras, todas editadas e impressas por ele mesmo, em sua casa, Sossela é considerado um dos mais importantes poetas paranaenses contemporâneos. Ele tenta afastar os leitores do trânsito comum da linguagem, explica o jornalista.
O livro mais importante do autor é Tatuagens de Nathannael, uma coletânea de poemas lançada em 1981. A obra esgotou uma tiragem de mil exemplares, considerada gigantesca diante de outros livros, que muitas vezes lançavam apenas dez ou 30 unidades. (S.M.)





