Um poema chamado Drummond
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terça-feira, 12 de junho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Criança não é feliz nem infeliz - pelo menos no mundo de Carlos Drummond de Andrade. O que a torna diferente dos adultos é a maneira particular de olhar o mundo e entender os seus mistérios.
Nesse universo, gente grande tem dificuldade de entrar. Porém, no espetáculo ''Os Diferentes'', que o grupo carioca Hombu estréia hoje no 39º Festival Internacional de Londrina (FILO), crianças e adultos poderão segurar nas mãos do poeta, através de sua obra, conhecendo esse reino, onde os pequenos têm sempre explicações simples para tudo.
O musical estreou há dois anos, com direção de Dudu Sandroni e elenco formado por Leninha Pires, Thais Tedesco, Pedro Rocha e Ronaldo Mota, colorindo com música a poesia de Drummond. A peça será reapresentada amanhã.
''Esse espetáculo é uma colagem lúdica de poemas e crônicas de Drummond sobre os quais nos debruçamos durante um ano e que definem o olhar precioso do poeta a respeito da infância e juventude'', afirma Ronaldo Mota, que musicou alguns poemas, compondo também letra e música para a peça, inspiradas nos textos do poeta.
Mota ressalta que algumas obras utilizadas como referências da montagem não falavam diretamente sobre as crianças, mas tinham delas o sorriso poético.
Sempre procurando valorizar a obra de grandes autores brasileiros, o Hombu, com 30 anos de existência, costuma fazer um jogo teatral em que a música, a literatura e o teatro são as peças que se encaixam na montagem.
Como muitos outros grandes poetas, Drummond surpreende porque consegue enxergar todas as cores dos olhos das crianças, tendo escrito muita coisa olhando para o neto e a própria infância - uma saudade que está em livros como ''Criança de Agora é Fogo'', ''A Senha do Mundo'' e ''A Cor de Cada Um'', obras que carregam o espetáculo.
Com uma iluminação refinada de Pedro Christo, as cores das poesias do modernista também estão nos cenários criados por Jorginho de Carvalho - uma brincadeira poética que vai se declamando diante do público ao se transformar, caprichosamente, em novas histórias de um mesmo e único poema chamado Drummond.
Ainda na programação do FILO, o espetáculo ''Adubo ou a Arte Sutil de Escoar pelo Ralo'', com o grupo Tucan, de Brasília (DF), tem mais duas apresentações hoje e amanhã, às 21 horas, na Usina Cultural. Porém, os ingressos já estão esgotados.
O espetáculo traz a Londrina, o diretor uruguaio, Hugo Rodas, que há 32 anos está radicado no Distrito Federal.
Rodas é um dos maiores diretores do teatro brasileiro. ''Adubo ou a Arte...'' fez grande sucesso no eixo Rio/ São Paulo, conquistando vários elogios da crítica pelo afinado trabalho de ator.
No palco, os personagens travam uma batalha filosófica sobre a morte, fazendo rir dos dilemas existenciais, que aparecem durante uma conversa de bar.


