Misterioso, intenso, sedutor e poético são os melhores adjetivos para classificar a produção brasileira ‘‘A Ostra e o Vento’’, que acaba de chegar às locadoras. Dirigido por Walter Lima Jr., um veterano do Cinema Novo que fez, entre outras coisas, ‘‘Inocência’’ e ‘‘O Boto’’. O filme teve uma recepção calorosa no Festival de Veneza do ano passado e também foi muito elogiado pelos críticos norte-americanos enquanto esteve em cartaz na sala Anthology, em Nova York, no início deste ano.
Com um lirismo que une texto e imagem de forma impressionante, ‘‘A Ostra e o Vento’’ é baseado no romance homônimo de Moacir C. Lopes. A história se passa numa ilha - algumas cenas foram gravadas na Ilha do Mel - onde a jovem Marcela (Leandra Leal) mora com o pai (Lima Duarte) que controla o farol. O único contato que ela tem com o restante do mundo é com um grupo de marinheiros que visita o lugar de tempos em tempos. Walter Lima Jr. imprimiu no filme uma narrativa que extrapola o fluxo temporal. O ritmo da história segue os movimentos das ondas do mar num eterno vai e volta de cenas e imagens.
A sofisticação estética e a opção por uma narrativa que foge ao real não impedem, porém, que os personagens sejam construídos com toda a densidade dramática. O crítico norte-americano Lawrence Van Gelder classificou a interpretação de Leandra Leal como ‘‘luminosa’’ e destacou a belíssima fotografia de Pedro Farkas. Já o crítico Larry Worth, do ‘‘New York Post’’, sublinhou as atuações de Fernando Torres e Lima Duarte, a fascinante trilha sonora de Wagner Tiso e a complexa e deliciosa narrativa do filme, afirmando que ‘‘A Ostra e o Vento’’ é um poema à arte da imaginação.
O diretor explora com muita competência e habilidade todo o mistério que ronda aquela bela e solitária ilha. O vento não é apenas um recurso estético e sonoro, mas um personagem invisível que dá à fita a dimensão de uma tragédia grega. A cena em que Marcela tem sua iniciação sexual com o vento é lírica, poética e intensa. ‘‘A Ostra é o Vento’’ seria um filme perfeito se não fosse a cena pouco convincente do naufrágio do barco. Mas esse deslize não chega a comprometê-lo. É gratificante para qualquer brasileiro assistir a uma produção nacional tão bem-feita que não deixa nada a desejar aos filmes norte-americanos.Lançamento da Flashstar. Duração: 118 minutos.DivulgaçãoLeandra Leal interpreta uma garota que vive isolada numa ilha e tem apenas o vento como companheiroCelso Mattos

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