Um personagem semiótico
O escritor Paulo Leminski renovou o terreno da linguística com o livro emblemático Catatau. A obra entrega ao leitor uma selva de palavras. No livro caótico e experimental surge Occam, o personagem eleito pelo músico e poeta Rodrigo Garcia Lopes como um de seus preferidos. Occam é considerado o primeiro personagem semiótico da literatura brasileira. Ele surge como monstro que habita o texto e toda vez em que aparece a narrativa fica mais louca, descreve. Em Catatau, Leminski apresenta uma erudição explosiva e desafia a decifração intelectual e intuitiva. Para o poeta londrinense, o bom personagem se transforma na alma do romance. Alguns personagens de Shakespeare você diz o nome e já identifica o conceito da obra literária e como ela é construída, assinala. Os primeiros personagens que habitaram no imaginário de Rodrigo Garcia Lopes saltaram dos livros de Monteiro Lobato. Ele destaca ainda, Polaquinha, de Dalton Trevisan e Joana, da peça Gota DÁgua, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Gosto muito das personagens femininas e a literatura brasileira é muito rica nesse sentido, afirma.





