O poeta desafia o impossível e tenta no poema dizer o indizível. A frase está presente em ‘‘Não-coisa’’, uma das poesias que o maranhense Ferreira Gullar compôs para seu novo livro, batizado provisoriamente de Muitas Vozes e ainda sem data de publicação.
Gullar, saudado como um dos grandes poetas brasileiros vivos, será homenageado hoje na TV com a exibição de um especial sobre sua vida e obra. O programa vai ao ar às 22 horas dentro da série mensal Registro, uma parceria do canal pago Multishow com a produtora Raccord.
O programa inclui entrevista e imagens do poeta recitando trechos de suas obras no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro; além de depoimentos da esposa, dos filhos e de amigos como o arquiteto Oscar Niemeyer, o dramaturgo Dias Gomes, o crítico Ivan Junqueira, o escritor Antonio Torres e o cineasta Zelito Viana.
Gullar, 68 anos, ganhou maior visibilidade para as novas gerações no ano passado quando a editora Revan publicou suas memórias de exílio Rabo de Foguete, o volume de artigos críticos Etapas da Arte Contemporânea e a segunda edição da polêmica Argumentação contra a Morte da Arte.
Esteve em alta também por ter sua trajetória esmiuçada nas páginas da revista Cadernos de Literatura Brasileira, dossiê bianual do Instituto Moreira Salles, editado pela Bei Comunicação. Nascido em São Luís (Ma) e radicado no Rio de Janeiro desde os 21 anos, ele polarizou discussões com os poetas concretistas na década de 50 e foi um dos mais ativos militantes culturais na década seguinte fundando o célebre Teatro Opinião e chegando à presidência do CPC (Centro Popular de Cultura da UNE).
Por sua produção recente, não falta quem o veja mais como crítico polemista da artes plásticas do que como o autor de versos influentes, particularmente aqueles de sua fase engajada. São, enfim, suas diversas facetas que o especial do Multishow mostra hoje e na reprise do domingo às 13 horas.ReproduçãoFerreira Gullar: memórias de exílio foram lançadas recentementeNelson Sato

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