Um pequeno grande festival
'Olhar de Cinema' termina nesta quinta(13) em Curitiba mostrando-se como um farol de boas produções
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quinta-feira, 13 de junho de 2019
'Olhar de Cinema' termina nesta quinta(13) em Curitiba mostrando-se como um farol de boas produções
Carlos Eduardo Lourenço Jorge 
Em sua primeira infância, o 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, encerra nesta quinta (13) sua programação com muito mais que um saldo positivo (vale a redundância). Sem o alarde de trombetas e a enganosa maciez do veludo dos tapetes vermelhos, dispensado o desfile VIP e abraçado tão somente ao que importa, vale dizer, o bom e útil velho-novo cinema, a mostra paranaense-universal iniciada em 2012 com os dois pés no chão e a vista projetada no horizonte sempre ávido da cinefilia, deixa evidente sua vocação de farol singular que traça o caminho para quem se aventura em busca dos mais inefáveis prazeres que imagens e sons podem oferecer em meio à rarefação geral. Vale dizer: de não alinhamento com a oficialidade festivaleira. E de cabeça erguida diante das nuvens negras que a política cultural do atual governo mantém (no momento) sobre nossas cabeças.
Evidentemente produzido desde seu nascimento com recursos parcimoniosos (leia-se poucos, embora excepcionalmente bem empregados), mas de comprovada eficácia, há oito anos o evento vem abastecendo um público cada vez mais interessado e fiel com generosa oferta de títulos de ontem e de hoje, distribuídos em seções que se multiplicam em apelos diversos. Mas não apenas.
Houve desde as tradicionais e indefectíveis mostras competitivas de longas e curtas, passando pelos obrigatórios longas de abertura e encerramento, pelos olhares clássicos (com pérolas e outras joias de igual ou superior valor), pela mirada paranaense, pelo foco (em cineasta latino-americano: este ano a chilena Camila Donoso), a diversidade em Outros Olhares (longas e curtas), a mais recente novidade em Olhares Brasil, os pequenos olhares e o olhar retrospectivo.
Nas pautas temáticas, buscou-se a organicidade: filmes que buscam tempos de exílio e não deixam esquecer o que foram os tempos tenebrosos das ditaduras brasileira e de países vizinhos. Entre os 131 filmes selecionados, a inclusão de contextos específicos como o tópico LGBTQI+. Houve recorde de filmes produzidos no Brasil. E embora sem
preocupação de gênero, a presença da assinatura de mulheres nas telas do shoppings Crystal e Novo Batel surpreendeu a todos. A registrar a incorporação ao festival de um novo, simpático e acolhedor complexo de salas off-circuitão, o Cine Passeio.
Como de hábito, a organização não se esqueceu das atividades paralelas. O 1º Encontros de Cinema de Curitiba e o Seminário de Cinema firmaram encontros positivos e veicularam ideias que integraram produtores, diretores, roteiristas, distribuidores e exibidores.


