Um pedaço da Holanda no Paraná
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terça-feira, 26 de abril de 2005
Ellen Taborda<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O sonho de uma viagem à Holanda remete o turista imediatamente às imagens de moinhos e tamancos de madeira. Para ter acesso à uma parte da cultura holandesa, no entanto, não é preciso gastar tanto tempo e dinheiro. Uma viagem aos municípios de Castro, Arapoti e Carambeí, no Paraná, pode suprir o desejo de ter contato com uma parte da história da imigração européia no Brasil. Foi a partir de 1911 que essas cidades começaram a receber os primeiros colonizadores holandeses. Faltam as tulipas e Van Gogh, mas sobram simpatia, paisagens bucólicas com vacas holandesas, comidas e danças típicas.
A visita aos três municípios faz parte do Roteiro dos Imigrantes (Rota Holandesa), operada pela Cooperativa Paranaense de Turismo (Cooptur), criada no final do ano passado com o apoio do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). O passeio pela cultura holandesa dura três dias, com uma intensa programação.
A primeira parada é o município de Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), com 70 mil habitantes, onde fica a colônia holandesa de Castrolanda. Antes de mergulhar na cultura dos Países Baixos, o turista conhece um pouco sobre uma história, bem brasileira, que começou na primeira metade do século XVIII. O tropeirismo nome dado ao movimento de tropas que levavam bens do sul do Brasil e da Argentina e Uruguai até São Paulo tem até museu contando um pouco de sua história. As lembranças da Rota das Tropas também estão na Fazenda Capão Alto, tombada como patrimônio histórico, que foi usada pelos tropeiros como pouso.
A Igreja Matriz de Sant'Ana, que começou a ser construída nos fins do século XVIII e concluída em 1860, tem uma curiosidade. O sino de bronze, doado pelo imperador D. Pedro II, ficou rachado após ser badalado euforicamente por um morador que comemorava o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
A Holanda começa a se fazer presente quando o turista se distancia oito quilômetros de Castro. Em Castrolanda, tudo remete às raízes holandesas, desde a arquitetura, museus e religiosidade. Uma guia turística nascida na Holanda conta a história da colônia. Foi em 1951 que chegaram as primeiras 50 famílias, compostas de pecuaristas e agricultores, que fugiram da Europa no pós-guerra. O governo brasileiro incentivava a imigração, concedendo prazos de até 10 anos para o pagamento das terras. Hoje, dos cerca de 3 mil habitantes que vivem na colônia, 200 famílias são de holandeses e seus descendentes.
É em Castrolanda que fica o quinto maior moinho do mundo. O ''De Immigrant'' foi inspirado no moinho Woldzight, que fica na província de Drethe, na Holanda. O holandês Jan Heijdra foi o encarregado de dar vida ao monumento brasileiro, em 2001, aos 75 anos de idade. O moinho impressiona pelas dimensões. São 37 metros de altura e 26 metros de envergadura das asas (de ponta a ponta).
Outro passeio imprescindível para compreender melhor a presença holandesa é o Museu dos Imigrantes, uma réplica das primeiras casas construídas na colônia. Lá podem ser vistos os móveis e utensílios trazidos pelos imigrantes. A holandesa Tryntje Salomons, que chegou criança ao Brasil em 1953, conta que a comunidade ajudou na formação do acervo, fazendo doações.
Viagem feita a convite da Cooptur.
Serviço:
A rota holandesa, que faz parte do projeto Roteiro dos Imigrantes, é operada pela Cooperativa Paranaense de Turismo (Cooptur), fone (41) 353-6267. O preço médio é de R$ 300, sem os custos do transporte rodoviário, que varia de acordo com o tamanho do grupo. Os passeios podem ser contratados a partir de qualquer município paranaense e também podem ser adaptados ao gosto do turista.


