A proximidade do inverno faz pensar em lareira, que faz pensar em aconchego, que faz pensar em viagem, que faz pensar em Treze Tílias (SC), a mais austríaca de todas as cidades brasileiras. Treze Tílias tem lareira, aconchego e proporciona mais que uma viagem. A cidade tem história, onde os personagens são austríacos, vindos da região do Tirol, na Áustria. E o nome da cidade explica a história de seus personagens. Treze, porque foi colonizada em 13 de outubro de 1933. Tílias, porque é o nome de uma árvore típica do hemisfério Norte. Treze Tílias, em alemão Dreizehnlinden também é o nome de uma poesia do poeta Wilhelm Weber, conhecido na Áustria.
As primeiras famílias austríacas chegaram em Santa Catarina afugentadas pelo fim da 1ª Guerra Mundial e o prenúncio da 2ª. Elas deixaram para trás a miséria de uma Europa devastada pela falta de emprego e de terras para plantar. No Brasil, escolheram a região de Santa Catarina, principalmente pela semelhança com o clima europeu. A vinda ao Brasil foi organizada pelo então ministro austríaco da agricultura, Andreas Thales, que chegou junto com os primeiros imigrantes.
Nem o medo do desconhecido, nem a dificuldade de adaptação conseguiram acabar com a alegria e a animação dos tiroleses. Ainda no navio que os trouxe ao Brasil, os imigrantes fundaram a Banda Tirol, até hoje uma unanimidade entre os habitantes de Treze Tílias. Os grupos folclóricos de dança e os corais preservam a cultura austríaca e se apresentam em vários eventos durante o ano.
As construções em Treze Tílias seguem os padrões tiroleses de arquitetura. Nos chalés com telhado inclinado, os galos de ferro indicam os pontos cardeais. As janelas são decoradas com floreiras, que colorem e dão vida às residências. Nas portas os visitantes são anunciados por sinos, que badalam a cada entrada. Os anfitriões recebem os turistas vestidos a caráter: é comum ver pessoas de todas as idades circulando com trajes típicos por toda a parte. Os habitantes, a grande maioria, tem dupla nacionalidade e mantêm contato com os parentes que moram na Áustria. Quase todos participam de eleições no pa~is de origem votando no Vice-Consulado que existe na cidade.
Uma das construções mais impressionantes da cidade é um castelo, construído em 1936 pelo ministro Andreas Thales. O local serviu de residência à família e foi ponto de referência para os imigrantes, que se reuniam frequentemente. A prefeitura da cidade está instalada em um casarão típico e na praça em frente está o monumento às famílias. A agropecuária, uma das bases da economia é homenageada com a escultura de uma vaca. Os derivados do leite enriquecem o cardápio local com os diversos tipos de queijos, iogurtes, coalhadas e doces caseiros.
Os quitutes da cozinha alemã são um atrativo especial na viagem. O turista literalmente cai de boca nos restaurantes, nas lanchonetes e nas mesas de café da manhã. Nesta época do ano, com as temperaturas em queda livre, fica difícil abdicar da comilança, a que todos estão sujeitos. Quem aprecia doces deve provar as tortas de maçã, uma das especialidades locais. A cerveja, bebida típica alemã, é apreciada, mas com o frio tem muita saída as rodadas de chocolate quente.
A língua alemã, falada fluentemente pelos habitantes e disciplina obrigatória nas escolas da cidade prega um susto no visitante. Por um instante, todos se perguntam se não estão mesmo na Áustria européia. A maioria dos trezetilienses tem pele clara e olhos azuis, conservando a característica dos pioneiros. O cotidiano dos colonizadores é lembrado no Museu do Imigrante, que guarda objetos utilizados pelas famílias no momento da chegada. Os serrotes, usados pelos tiroleses para cortar a madeira das primeiras casas estão preservados.
As esculturas em madeira, tradicionais no Tirol austríaco, vieram na bagagem cultural dos imigrantes da cidade. O escultor mais famoso de Treze Tílias é Godofredo Thales, descendente do organizador da imigração. Os trabalhos dos artistas locais são expostos e podem ser adquiridos pelos turistas em lojas de artesanato. As lojas típicas de malhas feitas na região são perfeitas para quem procura um presente de bom gosto. Bombons artesanais com caixas decoradas também são opção de lembranças de viagem.
Depois de provar os pratos saborosos da cozinha alemã, nada melhor do que queimar as calorias nos passeios a pé pelas redondezas. As trilhas, ladeadas por canteiros de flores fazem ainda mais bonitas as marges dos riachos e as cachoeiras da região. Sobre as flores, vale registrar as hortênsias em várias tonalidades de azul e rosa. Destaques por conta da Cascata Frozza e Lago Schaupenlehner, onde a paisagem é um bálsamo para os visitantes.

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