Um passeio pelo iê iê iê
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de outubro de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Depois te der gravado um disco ao vivo, Arnaldo Antunes estava às voltas com suas ideias à procura de um conceito para um novo trabalho. Voltar as raízes podia até parecer óbvio, mas para o músico e compositor paulistano era a coisa certa a fazer. E ele o fez. ''Iê iê iê'' é o novo trabalho do artista (e qualquer semelhança com o Titãs do Iê iê iê, primeira nomenclatura da ex-banda do músico não terá sido mera coincidência). Quem ainda não ouviu, tem oportunidade de escutar ao vivo hoje, na única apresentação que o músico faz em Curitiba.
O título e o conceito do disco chegaram antes que o próprio trabalho, conforme relata Antunes. ''A decisão de chamar esse disco de iê iê iê é anterior à sua feitura. Eu, que, em geral, decido os títulos só depois dos trabalhos concluídos, sabia dessa vez, desde o início, que queria fazer um disco de iê iê iê, chamado iê iê iê'', conta.
Saudosismo? Nada. O músico tem outra explicação. ''É o anseio de revitalizar o estilo, numa linguagem mais contemporânea e com letras que tentam incorporar novas questões e pontos de vista'', defende. Para ele, a escolha também se justifica pelo sabor das coisas que vinha compondo e ainda pelo desejo que sentia de voltar a uma sonoridade mais dançante, depois de dois discos (um de estúdio, ''Qualquer'', e outro ao vivo, ''Ao vivo no estúdio'', também registrado em DVD) gravados com uma formação mais leve, sem bateria e com instrumentos de cordas e um piano.
O músico salienta que as referências do novo álbum passeiam pela surf music, Jovem Guarda, a primeira fase dos Beatles, trilhas dos filmes de faroeste, o twist, Rita Pavone, programas de auditório e todo um repertório da cultura pop. Este último, aliás, foi essencial para defender também o conceito estético do disco e seu layout inspirado nas histórias em quadrinhos.
O álbum traz canções inéditas, a maior parte composta por Antunes recentemente ou até na época em que o músico encabeçava os Titãs (e que ainda não tinham sido gravadas), mas também traz parcerias com os velhos conhecidos, como Marisa Monte, Carlinhos Brown, Liminha, Paulo Miklos, Branco Mello, Ortinho, Betão Aguiar e Marcelo Jeneci, para citar alguns.
E é o repertório do disco que Antunes mostra no show que apresenta hoje no Curitiba Master Hall. Com ressalvas. Já que no set list, além de canções do disco novo, há outras composições como ''Consumado'' (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown), ''Socorro'' (Arnaldo Antunes e Alice Ruiz) e ''Essa mulher'' (Arnaldo Antunes). No show, o cantor também promete apresentar releituras de Odair José (''Quando você decidir''), de Luiz Melodia (''Pra aquietar''), de Dorgival Dantas (''Ela é americana''), alem da canção ''Vou festejar'' (Jorge Aragão e Dida Noeci), em versão iê iê iê, claro.
No palco, Arnaldo vai cantar ao lado de Edgard Scandurra (guitarra e voz), Betão Aguiar (baixo e voz), Chico Salem (violão e voz), Marcelo Jeneci (teclados e voz) e Curumin (bateria e voz). O figurino é do estilista Marcelo Sommer, que ao lado de Márcia Xavier também assina o cenário.
Serviço
Onde - Curitiba Master Hall (Rua Itajubá, 143)
Quando - Hoje, 21h
Quanto - R$ 40 e R$ 20 (estudantes, idosos, professores, doadores de sangue e doadores de um quilo de alimento)


