Verdadeira vitrine da floresta e paraíso para quem curte esportes radicais e natureza em estado puro. Não é exagero referir-se dessa maneira ao Parque Nacional da Serra da Bocaina. Criado em 1971 para servir de escudo protetor em caso de acidente nuclear com as usinas de Angra I e II, hoje ele ocupa uma área de 110 mil hectares entre as duas principais cidades brasileiras, onde a energia elétrica ainda não chegou. Cerca de 60% de seu território estão no Rio de Janeiro e 40% em São Paulo. Abrange os municípios de Angra dos Reis, Paraty, Areias, Cunha, São José do Barreiro e Ubatuba. E é a maior reserva de Mata Atlântica do País.

Ao completar 30 anos, essa unidade de conservação continua mais ameaçada do que nunca. Seu plano de manejo, elaborado pela Pró-Bocaina, uma ONG regional, em parceria com o Ibama, denuncia o crescente desmatamento provocado pela ocupação humana clandestina.

Esse é um território especial para o ecoturismo e a pesquisa científica, pois tem localização privilegiada. Sua paisagem natural comporta uma variação espantosa, desde uma enseada com praias de areias alvas (Cachadaço, próximo da Ponta de Trindade) e uma ilha oceânica (a Ilha do Tesoura), até um dos pontos mais altos de São Paulo, como o Pico do Tira Chapéu, de 2.088 metros.

A temperatura média anual é de 20ºC a 22ºC máxima de 36ºC a 38ºC e mínima de 0ºC a 4ºC. A riqueza hídrica faz com que as nascentes se multipliquem em caudais, jorrando das escarpas, formando dezenas de cachoeiras e cascatas.

Pelo menos duas chamam a atenção: Cachoeira do Veado, com mais de 100 metros de altura, e Cachoeira de São Izidro, que tem cerca de 80 metros. Graças a todas essas condições, o parque guarda pelo menos seis dos oito principais ecossistemas da Mata Atlântica, como costão rochoso, mata de baixada e campos de altitude. Levando-se em conta também as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) vizinhas, teremos aí um recorte completo da floresta original, com manguezais e restingas fechando esse magnífico ciclo de vida. (A.P.P./AE)

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