Um paraíso de águas claras
Abra os olhos! O alerta era transmitido pelas antigas cartas náuticas portuguesas aos navegantes que rumavam para a região sul da Bahia. Eles deveriam ficar atentos à grande quantidade de recifes de corais submersos, responsáveis por muitos naufrágios. Na Marinha, conta-se que surgiu assim a denominação do arquipélago composto por cinco ilhas e distante 70 km da costa brasileira: Abrolhos.
Considerado um paraíso por sua beleza e pela grande diversidade da fauna e vegetação marinhas, Abrolhos foi transformado em parque nacional em 1983, ficando sob a proteção do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
A região abriga o maior banco de corais do Atlântico Sul, com mais de 18 espécies, sendo que sete delas só existem no Brasil. É a única área do Atlântico Sul para onde as baleias Jubarte migram entre os meses de junho e novembro para reproduzirem-se.
ReproduçãoAtobás marrons: a maior colônia está em SuesteEstes são apenas alguns dos motivos que justificam a preservação do arquipélago. Refúgio de outros animais marinhos que buscam a sua segurança para procriar, Abrolhos é considerado uma espécie de berçário. As suas águas claras com temperatura anema escondem surpresas que fascinam os mergulhadores.
Navios náufragos e a grande diversidade de fauna marinha, atraem stmergulhadores que consideram o arquipélago um dos melhores lugares do mundo para o mergulho. Santa Bárbara, Siriba, Sueste, Redonda e Guarita, são as ilhas que compõem este paraíso.
Apenas Santa Bárbara não está sob jurisdição do Parque, pertencendo à Marinha. Por se tratar de uma base militar, o desembarque é proibido. Trata-se da única ilha habitada e por não pertencer ao Parque é a única em que foram introduzidos animais e plantas. Esta prática é proibida nas outras ilhas para não interferir no ecossistema do arquipélago.
A ilha conta com um Farol que foi construído em 1861 pelo franceses. No alto de seus 60 metros de altura, sua luz pode alcançar mais de 20 milhas náuticas. É na Santa Bárbara e na ilha Siriba que se encontra a maior colônia do atobá branco do arquipélago.
Já maior colônia de atobá marrom encontra-se na Sueste. Esta ilha é a segunda maior de Abrolhos. São 500 metros de extensão, 200 metros de largura e 15 metros acima do nível do mar. As tartarugas marinhas da espécie Caretta caretta escolheram a desova, a ilha Redonda. Esta também foi eleita pelas fragatas como local de reprodução.
Um incêndio em janeiro de 97 matou mais de 200 aves. As fragatas que restaram hoje habitam a Sueste junto com os atobás marrons. Siriba é a única ilha em que é permitida a visita, sempre monitorada. Devido às diversas espécies de aves que colocam seus ninhos junto ao chão, só permitido caminhar ao redor da ilha, nunca na parte central.
A menor ilha do arquipélago é Guarita. É lá que o benedito, Anous stolidus, se reproduz. Trata-se de uma ave migratória que é encontrada na Guarita entre os meses de março e novembro. Todas as ilhas são de origem vulcânica com grande quantidade de rochas sedimentares.
Nesse meio ambiente encontra-se uma vegetação terrestre formada por plantas de pequeno porte como gramíneas, herbáceas e ciperáceas. Já a vegetação marinha é extremamente rica em quantidade e variedades de espécies. Quanto as animais, também na parte terrestre, a fauna é pobre. Além de aves há ratos, aranhas, lagartos.
A riqueza da fauna marinha é tamanha que levou à decretação da área como Unidade de Conservação Ambiental. Para se ter uma idéia, é uma das mais ricas da costa brasileira. Todos os peixes do Atlântico Sul são encontrados nas águas do arquipélago.
Uma beleza, considerada por muitos incomparável, que atrai diversos mergulhadores. Pessoas que buscam estar em contato com algumas obras de arte da natureza que ainda podem ser apreciadas pelo homem.ReproduçãoBase militarA ilha de Santa Bárbara não está sob jurisdição do Parque, e pertence à Marinha: é a única ilha habitada do arquipélago, mas o desembarque é proibidoÉrika Pelegrino





