Um paraíso chamado NORONHA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Por Karen Abreu<br> Agência Estado. 
Fernando de Noronha O avião que parte do Recife é apertado e abafado, mas a paisagem que se descortina 545 quilômetros adiante, quando se sobrevoa o arquipélago de Fernando de Noronha, compensa qualquer sacrifício. Vistos lá de cima, o mar da ilha, ora azul-turquesa, ora verde-esmeralda, as falésias e as formações rochosas como o Morro do Pico (a ''bússola'' dos turistas, com 312 metros de altura) aumentam a vontade de pousar logo.
Essa primeira impressão - de que Noronha tem muita natureza e um mundo subaquático incrível para ser explorado - é confirmada num bate-papo na sede da Luck, uma das agências locais que organizam passeios guiados. É para lá que seus turistas são levados assim que pisam na ilha, depois de pagar a taxa ambiental exigida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, o Ibama.
Nesse bate-papo de menos de meia hora, os visitantes tomam conhecimento das atividades de ecoturismo disponíveis na ilha, aprendem sobre a fauna e a flora. São orientados a manter a aura de paraíso do lugar e, claro, apresentados às parcas opções noturnas.
Depois dessa iniciação, os turistas são levados para as pousadas. É hora de saber que, além de paraíso, palavras como rusticidade e simplicidade são próprias para descrever a ilha de 17 quilômetros quadrados, a única habitada entre as 21 existentes na região.
A maioria das ruas de Noronha é de terra. Só há uma estrada, a BR-363 - com 7 quilômetros de extensão -, que liga o porto à Baía do Sueste, onde as tartarugas-marinhas são encontradas. Banho quente é um luxo que a maioria das pousadas não oferece. A água, armazenada da chuva, é sempre racionada, a ponto de, este ano, algumas operadoras paulistas diminuírem a oferta de pacotes para não comprometer a qualidade da estada no local. Teatro, cinema e badalação também não existem em Noronha.
O contraste pode chocar quem vem do continente. Mas como resistir às belas paisagens que parecem saídas de cenas do filme ''A Lagoa Azul''? E isso é só uma parte do que Noronha pode oferecer. Há desde a generosa temperatura, na casa dos 26 graus o ano inteiro, até os golfinhos rotatores e a desova de tartarugas-marinhas, protegidas pelo Projeto Tamar, que tem uma base na ilha.


