Flávia Alessandra não via a hora de voltar a trabalhar com Walcyr Carrasco e Jorge Fernando. Intérprete da refinada Daphne em ''Caras e Bocas'', a atriz estava ''devendo'' a parceria com o autor e o diretor da novela das sete da Globo desde 2007. Na época, Flávia estava reservada para protagonizar ''Sete Pecados'' quando teve de substituir, às pressas, Luana Piovani, no elenco de ''Pé na Jaca''. Vista como um dos trunfos pelos dois responsáveis pela nova trama, a atriz não economiza esforços para tentar convencer na pele de uma mocinha contemporânea. ''Estou gravando sem parar e sempre muito focada em acertar. Não tenho a pretensão de achar que eu levanto a audiência, mas sei que quero muito tentar''.
Sua última mocinha foi há sete anos, em O Beijo do Vampiro. Você tem medo de cair na rotina da ''boazinha'' e ficar chata no ar?
Não tenho medo dessas coisas. Os autores têm apostado mais em mulheres contemporâneas, cheias de personalidade, compatíveis com a realidade atual. A Daphne tem muito esse lado independente, de pessoa que não leva desaforo para casa e não depende de homem nenhum. O medo que algumas atrizes têm é de ficarem rotuladas em algum papel. Esse não é o meu caso. Minha primeira mocinha foi em Porto dos Milagres e depois disso já fiz vários papéis diferentes, inclusive uma grande vilã em Alma Gêmea.
Quais foram as recomendações de Walcyr Carrasco e do diretor Jorge Fernando para a novela?
O Jorginho veio com um discurso bacana de não termos muitas pretensões. Um esquema meio de fazer dia após dia, como os folhetins de antigamente. Tentar resgatar aquele formato novelão mesmo. A gente perdeu isso. Parece que tudo hoje em dia tem de ser mirabolante. A nossa ideia é fazer pouco, de mansinho, mas com o coração.
Nas gravações, você brinca que é um absurdo interpretar a mãe de uma menina de 15 anos. Você se assustou com isso?
Não, é pura brincadeira mesmo. É diferente da minha realidade, porque minha filha tem só 9 anos. Eu preciso trabalhar uma postura diferente para marcar essa maturidade. E o figurino me ajuda muito. A Daphne usa peças com saltões, mangonas, cintos e outros acessórios que dão uma pesada, uma encorpada. Vira uma espécie de armadura para essa transformação.
Você já tinha planos de voltar a atuar com o Jorge Fernando e o Walcyr desde o final de Alma Gêmea. Como foi esse retorno na faixa das 19 horas, mais cômica?
Claro que é uma coisa nova, dá um frio na barriga. Só que a gente fica o tempo todo se queixando, pedindo para não fazer a mesma coisa, para não enjoar. É isso que está acontecendo comigo agora. Volto com Jorge e Walcyr, mas num outro tom, um outro posto e um outro horário.
Antes de entrar em Caras e Bocas você recusou protagonizar Negócio da China. Foi para fazer essa novela?
Não teve relação. Dei uma pausa porque eu precisava. Recomendação médica, inclusive. Eu precisava consertar todos os problemas que a personagem Alzira deixou. Lesionei o cotovelo, o pulso, abri o joelho, enfim, foi um desgaste físico muito forte.
A Alzira começou sem grande visibilidade e ganhou ares de protagonista no meio da novela. Você esperava essa repercussão?
Desde o início eu sabia que era um papel terciário. Meu nome vinha em 34º na sinopse. E, de cara, adorei. Eu ia gravar pouquinho, teria tempo para minha filha. E sabia que a história da ''Pole Dance'' ia dar o que falar porque ainda não era muito conhecida aqui. Mas confesso que eu não tinha noção que fosse alcançar aquela dimensão toda. Comemorei muito com o Otaviano, meu marido, na época, porque nós dois estávamos em papéis bacanas no ar.
Agora o Otaviano faz novela com você. Rolou um ''empurrão'' seu para que isso acontecesse?
Sinceramente, não. Mas se fosse preciso, eu daria. Eu não tenho esses problemas, um tem de ajudar o outro.
Como você reage a esses comentários de que o Otaviano só assinou com a Globo por sua causa?
Já me acostumei. Acho que sempre vão especular alguma coisa. Se eu engordar, vão dizer que estou grávida. Se eu sair sem aliança, vão noticiar que me separei. Se eu sair em viagem com meu marido, é porque estamos em lua de mel. Nunca tive esses grilos. Aprendi a conviver com esses probleminhas desde a época em que fui casada com o Marcos Paulo.

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