Um pagodeiro 'sintonizado'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
O aniversário de 52 anos, completados na última terça-feira, marca também o fim de um ciclo para Arlindo Cruz. Até o fim do mês, o sambista faz os últimos shows da turnê baseada no CD e DVD ''MTV ao Vivo'' (2009) e termina de gravar seu novo álbum de estúdio - o primeiro desde 2007. E é neste clima de despedida que ele chega hoje a Curitiba, para uma apresentação na casa de espetáculos Vanilla.
''Este projeto me deu muitas alegrias. Vendeu 60 mil CDs, 80 mil DVDs, foi indicado ao Grammy Latino. Mas agora é hora de partir para outra'', diz Cruz, em entrevista à reportagem da FOLHA. Segundo o artista, o próximo disco, com previsão de chegada às lojas para o fim de outubro, terá várias participações de sambistas da nova geração. Inclusive do filho dele, Arlindinho, que desponta no cenário carioca à frente do grupo Bambas de Berço. ''São poucas regravações e muitas músicas inéditas'', adianta.
Revelado para o público nos anos 80, quando fez parte do grupo Fundo de Quintal, Arlindo Cruz é do tempo em que pagode não era um termo pejorativo. Típico compositor profissional do samba, tem mais de 500 músicas gravadas por Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Almir Guineto e Maria Rita, entre outros (sem contar os sambas-enredo para as escolas Império Serrano e Grande Rio). São dele temas como ''Bagaço da Laranja'', ''Casal Sem Vergonha'', ''A Sete Chaves'', ''Jiló com Pimenta'', ''Fora de Ocasião'', ''Saudade Louca''.
Atento à questão dos direitos autorais, pela primeira vez discutida com seriedade dentro do Ministério da Cultura, ele defende uma maior transparência no sistema de arrecadação. Mas reconhece que os últimos anos foram marcados por melhorias nessa área. ''Tem gente fazendo um bom trabalho no Ecad, nas sociedades de compositores. Quando eu era mais jovem, vi muitos compositores morrerem pobres, e acho que isso não vai acontecer mais'', afirma.
Cortejado tanto pela ala mais tradicional do samba quanto pelos ''pagodeiros'' da nova geração, Cruz credita esse bom trânsito ao fato de não ser um purista. ''Gosto de música boa. Não importa se quem faz usa calça apertada, brinco ou camiseta colorida'', diz. E cita, bem-humorado, seu diretor musical, Túlio Feliciano: ''Ele uma vez me disse que eu sou a tela mais sintonizada do samba.''
SERVIÇO
- Show com Arlindo Cruz
Quando - Hoje, a partir da 0h
Onde - Vanilla (Av. Mateus Leme, 3.690)
Quanto - R$ 63 (terceiro lote de ingressos, preço sujeito a alteração)
Informações - (41) 3315-0808


