No Ano 0 – De todas as artes, o Festival Internacional de Londrina em parceira com o Núcleo Regional de Educação de Londrina trouxe para a cidade o professor paulista Ubiratan D’Ambrosio para falar sobre ‘‘Educação para a Paz’’. Segundo a diretora do Filo, o objetivo do Festival é mesmo abranger todas as áreas. ‘‘A educação é uma das bandeiras do Festival’’, explicou Nitis, que teve a idéia de trazer o professor Ubiratan D’Ambrosio para Londrina após ler o livro ‘‘Educação para uma Sociedade em Transição’’, do qual ele é o autor.
Professor emérito de Matemática da Unicamp, pós-doutorado pela Brown University, dos Estados Unidos, Ubiratan D’Ambrosio é membro do Conselho Diretor do Institute for Information Technology in Education (IITE), da Unesco, sediado em Moscou (1998/2002). Além do livro citado por Nitis Jacon, o professor também escreveu ‘‘Temas Transversais e Educação em Valores Humanos’’, em co-autoria com Ana Amélia Inoue e Regina de Fátima Migliori.
Em Londrina, o professor ministrou palestra na última terça-feira no Auditório BSGI – Brasil Soka Gakai Internacional – sobre a pluridimensionalidade da paz e o sistema educacional. Segundo o professor, a paz se encontra em três dimensões - a paz militar, a paz social e a paz ambiental. Mas para se chegar a elas, a mais importante é a paz interior.
‘‘O respeito pelo outro, a solidariedade com o outro e a cooperação com o outro são os três pontos de uma ética maior e que conduz à paz,’’ explicou o palestrante. Para ele, esta ética é a resposta para a tal paz interior. ‘‘A solidariedade é o ponto de partida para a paz social.’’
Falando para uma platéia formada em sua maioria por professores da rede pública de ensino, D’Ambrosio lembrou que ‘‘o currículo rígido é o nosso grande inimigo. Temos que nos libertar do programa para dar atenção à criança. O foco é ela e o currículo pode auxiliar.’’
A discussão sobre educação e mudanças no sistema educacional propostas pelo professor aprofunda a questão do Manifesto 2000 - Por um cultura da Paz e da Não-Violência. O manifesto, que é parte das comemorações do Ano Internacional da Cultura da Paz, foi proclamado em 1997 pela ONU e idealizado por ganhadores do Prêmio Nobel. O objetivo é colher 100 milhões de assinaturas pelo mundo todo que serão entregues em setembro na Assembléia Geral da ONU, em Nova York.
A Secretaria de Educação do Paraná, em parceria com a Universidade Federal e a Unesco lançaram o Manifesto 2000 em março deste ano. A intenção é coletar dois milhões de assinaturas entre alunos, professores e pais por todo o Estado. A coleta de assinaturas no Paraná segue até o dia 26 de junho. O Manifesto 2000 também foi lançado extra-oficialmente em Londrina no ano passado, pelo Colégio Universitário.
Para o professor, uma iniciativa como o Manifesto 2000 é o primeiro passo para que se ‘‘acorde para o problema da violência no mundo. Já tivemos outras tentativas que deram certo e isto é contagioso. É o vírus da paz que está no ar’’.
Mas, segundo ele, deve-se tomar cuidado com a vacina contra o vírus da paz que teima em surgir. ‘‘Há muitos interesses em jogo’’, explicou. E uma das maneiras de lutar contra a tal vacina, é a reformulação do sistema educacional, que ainda hoje trata o aluno como se ele estivesse numa esteira de produção em série.

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