A figura humana em planos cinematográficos. A poesia por meio de imagens obtidas em um dia de chuva. Aliás, um guarda-chuva nunca esteve em um plano tão especial quanto no trabalho do fotógrafo German Lorca, que expõe suas obras de hoje até outubro, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
''German Lorca: Fotografias como Memória'', resume parte do talento do fotógrafo paulistano, de 86 anos. ''É uma coletânea de fotos que fiz em 60 anos, são retratos antigos e outros atuais. Boa parte é da minha vontade de tentar fazer arte, de procurar um momento mais rebuscado. Fazem parte de minha coleção de fotos que buscam um sentido mais poético. São as que mais prefiro, são as mais representativas em relação à arte'', explica Lorca, que esteve em Curitiba para o lançamento da exposição na noite de ontem.
A chuva, e o próprio guarda-chuva, chegam a ser personagens em imagens do cotidiano. ''Isso era um tema específico do concurso que eu participava no clube de fotógrafos amadores em São Paulo. O contraste, a luz e a sombra têm sempre uma proposta mais agradável, como na figura das pessoas'', comenta Lorca.
A influência do cinema, que dava seus primeiros passos no Brasil quando Lorca começou a carreira, também é bastante perceptível em sua obra. ''A fotografia é a própria base do cinema. Gosto muito da fotografia inglesa, com as figuras exteriores, e tento captar o movimento dos artistas e do ambiente. Uso o enquadramento do cinema e também procurei acompanhar o ritmo do cinema nas fotos'', afirma.
Autodidata, Lorca começou a fotografar profissionalmente em 1940 e em 52 ganhou o prêmio Alexandre Del Comte, em Buenos Aires. O aprendizado aconteceu no Foto Cine Club Bandeirantes, onde conheceu outros nomes do experimentalismo na fotografia, como Eduardo Salvatore, Thomas Farkas e Geraldo Barros. ''Na época que eu comecei não existia escola de fotografia. Só tinha cursos técnicos, para aprender a revelar, essas coisas. Regras de composição, iluminação e luz e sombra eu aprendi nas discussões com os amigos, no clube de fotógrafos amadores'', conta.
O ambiente profissional possibilitou a Lorca conhecer e fotografar algumas figuras conhecidas, como a atriz Bibi Ferreira, o costureiro Denner Pamplona de Abreu e o francês Pierre Verger, fascinado pela Bahia. ''Os personagens fotografados foram os que serviam para o trabalho publicitário; são pessoas brilhantes, representativas.''
Depois da exposição de memórias, Lorca pretende lançar um livro e nova mostra, ainda sem data definida. ''O livro vai ter boa parte desta exposição que está em Curitiba e acho que sai no ano que vem. A série de fotografias coloridas que nunca expus depende dos calendários dos museus'', adianta.

SERVIÇO
- ''German Lorca: Fotografias como Memória''
Quando - Até 12 de outubro, com visitação de terça a domingo, das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Quanto - R$ 4 (adultos) e R$ 2 (estudantes). Não pagam crianças até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de estudantes das escolas públicas, do ensino médio e fundamental
Mais informações - Tel. (41) 3350-4400

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