É o mais recente fenômeno a desafiar a lógica improvável da sempre festiva e poderosa engenharia de marketing do show business americano. A produção independente ''Casamento Grego'', em exibição no Brasil (veja a programação de cinema na página 2), é mesmo um autêntico fenômeno, na origem praticamente um zero à esquerda que até a semana passada tinha acumulado vários zeros à direita - custou míseros U$ 5 milhões, com potencial declarado e assumido para no máximo US$ 20 milhões, mas já arrecadou US$ 200 milhões em 32 semanas de exibição somente no mercado americano, aí incluído o Canadá.
E enquanto a performance doméstica parece não desacelerar, os produtores, a frente Tom Hanks e a mulher, Rita Wilson - que acreditaram no espetáculo-solo da autora Nia Vardalos, mais tarde roteirista e atriz do filme -, esfregam as mãos ao contabilizar as rendas que chegam de outros mercados mundo afora. Na Inglaterra, onde o filme foi lançado há dois meses, a bilheteria até esta semana era de 12 milhões de libras. O lançamento na Espanha foi nesta sexta, e o filme está chegando nos próximos dias ao resto da Europa com expectativa de muitos milhões de euros. Mas as comemorações não param por aí. Não apenas ''Casamento Grego'' tornou-se o maior sucesso comercial na história dos filmes independentes (superando os U$ 140 milhões de ''A Bruxa de Blair'', em 1999), mas já é também a mais rentável comédia romântica de todos os tempos, superando os U$ 178 milhões de ''Uma Linda Mulher'' em 1990, embora o preço do ingresso nos EUA fosse mais barato na época.
O filme, sobre uma desajeitada garçonete greco-americana que recicla as histórias do Patinho Feio e da Cinderela e se casa com o bonitão dos seus sonhos, apesar da bem intencionada mas asfixiante família, de modo geral vem recebendo críticas favoráveis que ressaltam o aspecto de simpática crônica de comportamentos, étnicos, familiares e afetivos.
Segundo informa a imprensa americana, a última novidade acerca de ''The Big Fat Greek Wedding'' é que a Academia de Hollywood poderia levar o filme em consideração na corrida ao Oscar, já em desenfreado processo de lobby junto a todos os segmentos do colégio eleitoral composto por 5.600 votantes. A campanha em favor do filme vem abrindo maiores frentes, com grandes anúncios ocupando espaço nobre na mídia impressa. A idéia é encaixar candidaturas nas categorias roteiro e interpretações, isto é, o troféu-recompensa iria para Nia Vardalos e para Michael Constantine, um veterano da tevê americana que faz o patriarca grego Portokalos. Sobre a hipótese da nominação, a atriz e roteirista Nia Vardalos, que interpreta a sonhadora e reprimida Toula, não deixou por menos: ''É tudo um pouco estonteante, isto é, só de pensar que o filme vem sendo cotado para uma possível premiação. Mas podem anotar: se eu for indicada, vou sair e correr tão depressa para comprar um vestido que vou deixar marcas de fogo por onde eu passar!''

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