No domingo, na noite da entrega do Oscar aos melhores do cinema em 98, um senhor subirá ao palco para ganhar uma estatueta previamente anunciada. Trata-se de Elia Kazan diretor de teatro e cinema que nasceu na Turquia e brilhou nos Estados Unidos. Foi fundador do Actor’s Studio que formou grandes atores, como Marlon Brando e James Dean. Ganhou dois Oscar de melhor diretor pelos filmes ‘‘A Luz É Para Todos (1947) e ‘‘Sindicato de Ladrões’’ (1954). Foi também bastante polêmico ao delatar possíveis comunistas entre seus colegas durante o Macartismo, movimento liderado pelo senador conservador norte-americano Joseph McCarthy que promoveu uma verdadeira ‘‘caça às bruxas’’ com os comunistas.
O cinema de Kazan é centrado no ‘‘ator’’, ou seja, na expressão cinematográfica da ‘‘interpretação’’ ou da ‘‘preformance’’ ou do ‘‘desempenho’’. Não por acaso, Kazan lançou em Hollywood as bases da nova técnica de interpretação formulada pelo Actor’s Studio.
Sendo um cinema de atores, o de Kazan é um cinema de ribalta, de palco, de teatro, muito em afinidade - paradoxalmente, ou não - com o de Chaplin e sua técnica de interpretação. Por isso, os filmes de Kazan, individuais por excelência, devem tudo não à técnica cinematográfica estruturalmente considerada, mas à ‘‘aparição’’ ou ‘‘desaparição’’ do ator em cena, e do nível de interpretação dos atores que aparecem na tela.
O que seria, por exemplo, de ‘‘Sindicato de Ladrões’’ sem a luminescência protossomática de Marlon Brando e Eve-Marie Saint, ou ‘‘Vidas Amargas’’ sem a corporalidade difusa e perturbadora de James Dean e Julie Harris?
Como cineasta do ator, Kazan deu full credit (crédito total) a seus atores para se esbaldarem dentro de seus filmes e não é por acaso que este ‘‘incentivo’’ à liberdade individual e expressiva tenha levado seus atores às melhores interpretações já envidadas pelos cinema americano e talvez mundial.
Natalie Wood e Warren Beaty em ‘‘Clamor do Sexo’’ estão nada mais nada menos que assustadores no seu existencialismo rústico e rudimentar. Ou então Kirk Douglas no arrepiante e verdadeiro ‘‘Movidos pelo Ódio’’, ou Lee Remick e Montgomery Cliff no tocante ‘‘Rio Violento’’. E não se poderia esquecer da ‘‘presença’’ de Statis Gialelis no seu pungente ‘‘Terra de um Sonho Distante’’. E quando se vê a deslumbrante ‘‘atuação’’ de Robert de Niro no melancólico e f. scott-fitzgeraldiano ‘‘O Último Magnata’’, não resta a menor dúvida: o filme só podia ser de Elia Kazan.

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