Um olhar sobre o passado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de agosto de 2002
Kátia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os principais registros hoje disponíveis sobre Curitiba do início do século 20 são de autoria de João Baptista Groff (1897-1970), artista curitibano que atuou como fotógrafo, cineasta, editor e pintor. A ele é dedicada a exposição que a Fundação Cultural de Curitiba inaugura hoje, às 19h30, na Casa Romário Martins (Largo da Ordem), reunindo suas fotografias e filmes, com o título ''Groff - Olhar que ilumina Curitiba''. O material pertence ao acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da fundação.
Desde muito cedo Groff se revelou na arte de representar o cotidiano. Suas imagens constituem cenas corriqueiras da cidade os colonos e suas charretes, o comércio, os automóveis e os bondes, os nevoeiros e pinheirais. Pelas suas fotos é possível observar as transformações que Curitiba experimentou nas décadas de 20, 30 e 40. Podem ser conferidos na exposição diversos ângulos da Avenida Luiz Xavier, a Rua XV de Novembro, a Rua Riachuelo e até imagens aéreas, como a que foi feita sobre a Praça 19 de Dezembro. Também serão exibidos no local os seus principais filmes, entre eles ''Pátria Redimida'', sobre a Revolução de 30, considerado a obra-prima de Groff.
João Baptista Groff ganhou sua primeira máquina fotográfica aos 15 anos. Logo começou a produzir por conta própria, fotografando as paisagens da cidade e transformando-as em cartões postais. Abriu o seu próprio estúdio fotográfico e foi o pioneiro da cidade no comércio de materiais para fotografia. Foi repórter fotográfico e atuou, entre outros veículos, na revista ''O Cruzeiro'' e em diversos jornais dos Diários Associados. Suas fotos foram premiadas no Salão Nacional de Fotografia, realizado no Rio de Janeiro, e no Salão de Fotografia de Paris, em 1927.
Foi em meados da década de 20 que Groff produziu o seu primeiro filme, depois de conhecer e se encantar com um câmera filmadora. Seu primeiro desafio foi filmar as Cataratas do Iguaçu e as Sete Quedas, desbravando muitos trechos daquela região. Groff vendeu as imagens para a produtora americana Walt Disney e elas passaram a integrar o documentário ''Maravilhas da Natureza''.
Depois passou ao registro dos acontecimentos políticos e estreou, em 1930, o filme ''Pátria Redimida'', sobre a passagem das tropas revolucionárias de Getúlio Vargas pelo Paraná. O filme original, doado por Groff à Cinemateca Brasileira, foi destruído por um incêndio em 1957. Outra cópia, em posse da família, também queimou-se num incêndio em 1978. A Cinemateca de Curitiba realizou um trabalho de recuperação da obra, estabelecendo um roteiro semelhante ao original, através de doações de amigos e familiares do cineasta.
Na última fase de sua vida, Groff dedicou-se às artes plásticas e continuou exaltando em suas pinturas as belezas naturais de seu Estado e de sua cidade. Deixou perto de 600 telas que estão sob os cuidados de sua família.
Serviço
''Groff - Olhar que ilumina Curitiba''. Exposição de fotografias e exibição de filmes de João Baptista Groff (1897-1970), na Casa Romário Martins (Largo da Ordem, 30 - Setor Histórico). De terça a sexta-feira, das 9 horas às 12 horas e das 13 horas às 18 horas; sábados, domingos e feriados, das 9 às 14 horas. Entrada franca. Visitas monitoradas podem ser agendadas pelo telefone (41) 321-3255.


