A fotógrafa e artista plástica londrinense Fernanda Magalhães abre hoje, às 20h30, na Sala Celso Garcia Cid do Cine-Teatro Ouro Verde, a exposição ‘‘A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia’’. A mostra faz parte da programação do projeto ‘‘Arte em Londrina’’, da Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina, que inclui também uma conferência, amanhã, e um workshop, que será ministrado a partir de segunda-feira.
Fernanda expõe 21 trabalhos produzidos a partir de imagens fotográficas manipuladas através de colagens, pinturas e computação gráfica. ‘‘A base do meu trabalho é a fotografia. Mas no meu modo de processar a imagem surgem cortes e recortes que a transformam em colagens, assim como textos que agem como elos de ligação com a imagem’’ - diz. As obras são resultado do projeto com o qual Fernanda recebeu o 8º Prêmio Marc Ferrez de Fotografia 1995, do Ministério da Cultura/Funarte e que desenvolveu durante todo o ano passado. A proposta de mostrar a questão da mulher gorda através do nu feminino não é novidade no trabalho de Fernanda. Em 95, a artista mostrou a exposição ‘‘Auto-Retrato, nus no Rio de Janeiro’’, onde, de forma intuitiva, já questionava a questão do corpo. ‘‘Mas aquele trabalho não foi uma coisa pensada em termos de questionamento, era mais uma espécie de brincadeira que surgiu numa das cidades em que mais se cultua o corpo. Em uma análise posterior é que surgiu a idéia levantar a imagem de mulheres gordas na história da fotografia’’ - explica.
Estético Foi a partir daí que Fernanda percebeu que existiam muitas representações da mulher gorda, inclusive como um grande potencial no mercado editorial. ‘‘Há muitas revistas pornográficas onde as modelos são todas bonitas, sensuais, interessantes e gordas’’ - afirma. O enfoque então foi totalmente voltado para as formas em si, num sentido estético e plástico que se opõe ao mito da beleza descarnada. ‘‘‘Há aquela coisa do mostra/esconde, que todo gordo enfrenta porque, mesmo que se vista para disfarçar, a gordura fica à vista. Então os trabalhos refletem isto’’ - afirma.
Utilizando fotos próprias ou de outros autores - inclusive das revistas pornográficas - Fernanda parte do princípio que o corpo gordo é bonito, porém discriminado. ‘‘Mais até que o negro e o homossexual. Há toda uma indústria dizendo que você tem que ser assim ou assado que, quem não se enquadra, sofre esta discriminação. A gordura só é perdoada quando está envolta no sentido da maternidade, o ventre cheio, os seios redondos e volumosos da amamentação’’ - diz.
Fernanda ‘‘briga’’ com este posicionamento e mostra formas redondas, curvilíneas da mulher gorda em movimentos e momentos para capturar o desejo e a admiração do olhar. Em seus trabalhos, as mulheres são de carne, presentes, inteiras - ainda que segmentadas -, sem posturas artificiais mas com toda crueza e realidade. Ali, nada de arquétipos ou mistificações. Somente reflexões sobre referências estéticas e feminilidade idealizada.
Workshop Fernanda faz amanhã, às 20 horas, no auditório da Associação Médica de Londrina, uma conferência pública cujo tema será o processo de produção de seus trabalhos. Já de 28 a 30 deste mês, ministra o workshop ‘‘Fotografia: Usos e Costumes’’, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas, no Departamento de Artes da UEL. As inscrições podem ser feitas até amanhã, na Divisão de Artes Plásticas, no Cine-Teatro Ouro Verde, com taxa de R$ 30. Estudantes pagam R$ 15.
q A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia - da artista plástica e fotógrafa Fernanda Magalhães, abertura hoje, às 20h30, na Sala Celso Garcia Cid, do Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. A mostra vai até o dia 25 de maio e pode ser visitada todos os dias, das 14 às 17 horas e das 19 às 22 horas.

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