Cultura guarani
inspira artista
plástico argentino
Hécctor Hachenh
Ney de SouzaHécctor Hachenh: ‘‘Tento interpretar como seria a expressão artística dos guaranis’’
Edna Mendes

Na década de 70, Héctor Hachenh era conhecido como o garoto branco que brincava, pescava e caçava com as crianças da tribo Mbyá-Guarani, da província de Misiones, no Nordeste da Argentina. A experiência com os indígenas se uniu ao gosto pelas artes plásticas que surgiu na adolescência. Aos 15 anos, já vivendo em Buenos Aires, Hachenh começou a se dedicar ao estudo das artes.
Hoje, aos 34 anos, morando há dez anos em Foz do Iguaçu, com a grafia do nome alterada pela numerologia, o argentino Hécctor é um conceituado artista plástico, cuja principal temática é a cultura guarani. O público pode conferir, até 7 de agosto, o resultado de seu envolvimento com os índios, em três telas expostas no 11º Salão de Artes de Foz. Os trabalhos estão na Sala de Exposição Antonio Cabral de Mendonça, no prédio da Fundação Cultural.
Ney de SouzaYasí já Yaguarete (A Água e o Jaguar)

‘‘Além do convívio com os guaranis, acabei me dedicando a um aprofundado estudo sobre a cultura deste povo’’, revela Hachenh. Há dois anos, o artista pesquisa exclusivamente a história dos guaranis que vivem no Brasil, na Argentina e no Paraguai. Neste período, o estudo se refletiu no perfil de suas obras, que retratam unicamente aspectos da cultura guarani.
Desde a vinda para o Brasil, Hachenh pode se orgulhar de ser um artista profissional. ‘‘É um privilégio poder se sustentar somente com o trabalho artístico, uma raridade num país como o Brasil’’, comemora. Além da venda das obras, que inclui painéis em alguns edifícios da cidade e produção para leilões, Hachenh também forma novos artistas através de cursos e desenvolve projetos didáticos itinerantes em parceria com Ana Hmeljevski, artista compatriota que vive em Foz. Os dois trabalham em conjunto, aplicando oficinas em universidades da região, de Ciudad del Este e de Assunção, além de instituições de outros estados brasileiros.
As características de sua arte lhe garantiram um lugar no mercado. ‘‘Tenho bastante sorte. A curiosidade pela temática indígena permite que meu trabalho tenha uma boa aceitação’’, diz. Em seus quadros percebem-se referências da mitologia guarani, cestaria, cerâmica andina e a arte primária dos índios.
Para alimentar sua criatividade, Hachenh continua pesquisando através de livros, bibliografias brasileiras, paraguaias e francesas. O artista também não esquece da pesquisa de campo. Visita tribos no município argentino Puerto Iguazú, fronteira com Foz. ‘‘A cultura guarani é uma expressão latino-americana. É extraordinário que esta cultura esteja na essência de países tão diferentes quanto Argentina, Paraguai e Brasil’’, avalia.
‘‘Tento interpretar como seria a expressão artística dos guaranis, como seria sua iconografia’’, explica. Para compor suas obras, o artista usa várias técnicas como carvão, materiais telúricos, óxidos da terra e areia. As cores vivas predominam nos trabalhos de Hachenh. ‘‘O povo guarani não gosta de cores neutras. A arte primária deles era expressa em azul, amarelo, vermelho e verde’’, justifica.

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