Como sempre há tempo para novas descobertas e aprendizados, Adélia de Carvalho Santos, 58 anos, professora aposentada, não hesitou quando ouviu no rádio que o Senac estava oferecendo um curso de fotografia voltado para a terceira idade: foi lá e se matriculou.
Sempre que tem uma oportunidade, lá está Adélia registrando pessoas, situações, paisagens. Catequista, a professora aposentada também é responsável pelo jornal da catequese da sua paróquia, e claro, é ela quem faz as fotos.‘‘Eu sempre gostei muito de fotografar, mas as minhas fotos não saíam boas’’, afirma Adélia Santos.
Um curso era o que Adélia precisava. Foram três semanas aprendendo noções básicas de fotografia: colocar e tirar filme da máquina, técnicas de como fotografar com e sem sol, observação do ambiente, profundidade, enquadramento.
‘‘Enfim aprendemos os princípios básicos’’, explica Adélia.
O que foi suficiente para a professora aposentada sentir as mudanças no resultado final de seu trabalho. ‘‘Como minha máquina é profissional, eu tinha muita dificuldade com foco, nitidez, velocidade’’, conta. ‘‘Agora as foto ficam bem melhores’’, complementa.
O curso de fotografia para terceira idade fez parte da programação voltada especificamente para este público. O instrutor de fotografia, Cristian Marques, que ministrou o curso, explica que a proposta era trabalhar a questão humana e estimular a criatividade e percepção nas pessoas da terceira idade.
Os participantes do curso mostraram que o potencial criativo não morre com o passar do tempo, muito menos quando as pessoas deixam de estar inseridas no mercado de trabalho. Cristian afirma que ficou surpreso com o potencial criativo dos alunos da terceira idade e arrisca uma análise: ‘‘Eles têm um processo criativo fantástico, até mesmo superior ao de alunos mais jovens. Acredito que isto ocorra por estarem desvinculados do trabalho’’, diz
O curso foi ministrado, segundo Cristian, dando mais ênfase para composição de fotografias, já que o interesse não era formar profissionais. Os alunos também tiveram oportunidade de conhecer algumas técnicas de recuperação de imagens. ‘‘A maioria destas pessoas já tem em casa um banco de dados de imagens, muitas já deterioradas pelo tempo, por isso passei algumas noções de recuperação de fotos’’, justifica. (E.P.)

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