A riqueza de um país também pode ser avaliada pela sua biodiversidade. E o Brasil merece todo respeito e cuidado para preservar a variedade de espécies animais e vegetais que possui. Pensando em registrar parte desse precioso material é que o biomédico Nélio Roberto dos Reis que também é professor do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL) convidou mais 29 pesquisadores de outros renomados centros de pesquisa para elaborar um livro sobre os mamíferos do Brasil. Por incrível que possa parecer o país ainda não possuía esse tipo de publicação totalmente editada e escrita por pesquisadores brasileiros. Editorialmente inédito, ''Mamíferos do Brasil'', que vai ter uma tiragem de mil exemplares, será impresso pela Imprensa Oficial do Estado, com distribuição gratuita para universidades, pesquisadores e escolas. Além de Reis, a edição foi feita pelos pesquisadores Adriano Peracchi e Isaac de Lima, ambos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e Wagner Pedro, da Universidade Estadual Paulista. O lançamento oficial será durante o 1º Congresso Sul-Americano de Mastozoologia, em Gramado (RS), entre 5 e 8 de outubro. Os interessados em adquirir um exemplar podem entrar em contato com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), em Londrina. Focado mais nos mamíferos do Paraná, em fevereiro, durante o 26º Congresso Brasileiro de Zoologia, realizado na UEL, foi lançado o livro ''Mamíferos da Fazenda Monte Alegre - Paraná'', editado em parceria entre a Eduel e a Klabin, no qual o professor Reis também foi um dos editores.
''Um dos reflexos da importância desse tipo de trabalho é que foi verificada a existência de 652 espécies de mamíferos do Brasil, quando a última referência era de 524 espécies'', destacou Reis. Outro dado importante é que do total catalogado, 69 espécies estão ameaçadas de extinção: ''Isso representa mais de 10% e, desse total, estão em perigo 26 espécies de macacos, 12 de ratos e 10 de carnívoros'', disse Reis.
Divididos em 12 capítulos, o livro traz uma foto de cada gênero e informações atualizadas sobre os animais como habitat, grau de extinção, alimentação e reprodução.
''Uma das dificuldades em se ter esse tipo de publicação no Brasil foi a falta de financiamento e todos os pesquisadores que participaram da edição dos 'Mamíferos do Brasil' trabalharam gratuitamente'', salientou Reis.
Segundo ele, a publicação deve interessar desde crianças até o público universitário. ''Quanto mais simples a linguagem utilizada, mas científico fica o material'', explicou o professor.
Um exemplo da importância desse trabalho é a observação de quanto mais é destruído o habitat do animal, menos fonte de alimentação ele terá, afetando diretamente a sua capacidade de reprodução. O guariba, uma espécie de macaco, atualmente só pode ser encontrado em uma fazenda em Rolândia e precisa se alimentar de 30 tipos diferentes de folhas. Em uma área devastada, não encontraria tal variedade de folhas e estaria com a sua preservação ameaçada. A reprodução entre linhagens familiares muito próximas também é um risco grande quando não há espaço adequado para o desenvolvimento dos animais. Pode haver uma transformação genética, gerando animais com defeitos. ''No Horto, em Londrina, já podemos observar animais nascendo sem um dedo ou sem um dente, por exemplo. Isso já é um resultado lamentável desse processo'', comentou Reis.

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