Aviso aos navegantes: Ivan Lins, o compositor, está em cena. Depois de cinco anos desenvolvendo projetos musicais como o CD com a obra de Noel Rosa e outro voltado às canções natalinas, finalmente o artista traz para o disco suas próprias criações. Acaba de chegar às lojas ‘‘A Cor do Pôr-do-Sol’’, lançamento da Abril Music.
Ivan faz se acompanhar de novos parceiros: Celso Viáfora, Aldir Blanc, Caetano Veloso, Dudu Falcão, Moacyr Luz entre outros. Vitor Martins, com quem manteve estreitíssimo e exclusivo laço durante 26 anos, comparece com duas letras. A amizade entre eles é a mesma, mas os caminhos são diversos. Martins está mais e mais envolvido com os compromissos da gravadora Velas, enquanto Ivan tem na composição seu sentido de vida.
‘‘A Cor do Pôr-do-Sol’’, música com com letra de Celso Viáfora que batiza o disco, pergunta num de seus versos: ‘‘De que amanhecer nascem os romances?’’ Esse tom de amanheceres e nascimentos está na vida do compositor, plenamente satisfeito com o rumo de sua carreira que vai chegando aos 30 anos de idade. Nos dois últimos anos, especialmente, tem trabalhado intensivamente na composição. ‘‘Estava precisando ‘desovar’ parte da produção’’, conta.
Ivan explica que este lançamento é uma continuidade em sua obra, com alguns rompimentos ‘‘na forma de cobrir as canções com mais modernidade’’. Nessas faixas buscou a sonoridade eletrônica, embora faça uso dela com parcimônia. ‘‘Misturo bem com a acústica, dou uma boa equilibrada’’, afirma. Assim como na vida, igualmente no disco procura cuidar da equidade. ‘‘Sou assim mesmo, um conciliador. Não chuto o balde, entende? Tento conciliar tendências’’.
Todo trabalho reflete seu autor, considera o artista. Pelo menos no seu caso é assim, e este CD, a exemplo dos demais, é a materialização em sons daquilo que no momento habita em sua alma. ‘‘Aqui está o Ivan Lins amoroso, o que reclama, o crítico da realidade brasileira. Mas continua sendo o lírico de sempre. Essa é a força maior da minha arte criativa’’, define-se.
Nesses tempos de luz e paz, o compositor coloca como um dos mais importantes fatores os filhos crescidos, trabalhando e ‘‘muito próximos’’ dele. Além da produção cada vez mais intensa, tem ainda uma série de projetos artísticos para serem desenvolvidos.
‘‘Talvez eu seja o artista com maiores planos para o futuro. Tem tanta coisa que eu gostaria de fazer... Isso é maravilhoso pelo fato de eu ser livre e querer interagir com outras pessoas que antes não era possível. Isso me dá enorme vontade de viver; agora não tenho mais que dar provas a ninguém’’.
Ivan Lins acredita ser um desses astros que ‘‘de certa forma’’ não é uma imagem que vende. Se tiver foto sua na capa de revista as vendas não serão alteradas, imagina. ‘‘Não tenho metralhadora na boca, nem tenho bunda grande’’, ironiza.
Então, por essas e outras, ele pode se dedicar àquilo de que mais gosta, sem estar preso a esquemas. Para ajudar, os rendimentos que ganha são suficientes para viver. Sem queixas, admite: ‘‘Sou feliz e tenho liberdade para dividir esta felicidade com as pessoas que quero e gosto. Conquistei este direito. Ser parceiro de Caetano é uma dessas conquistas.’’
Caetano Veloso está presente em duas canções: ‘‘Dois Córregos’’ e ‘‘Lua de São Jorge’’. A admiração do carioca pelo baiano vem desde os idos de 1966 quando pela primeira vez Ivan ouviu Caetano interpretar ‘‘É de Manh㒒, no Teatro Jovem. Uma terna e discreta homenagem está em ‘‘Vamos Indo’’, com letra de Aldir Blanc. Ali tem o dedo de Ivan no trecho em que diz: ‘‘Luar de seda azulando/ do Farol da Barra ao Redentor/ e uma canção de Caetano/ encantando nosso amor’’. Coube ao letrista criar novos versos para embutir esse poema mínimo que já estava feito.
O show ‘‘A Cor do Pôr-do-Sol’’ estréia nacionalmente entre os dias 21 e 24, em Belo Horizonte. Depois segue para curta temporada no Canecão, Rio de Janeiro, entre 27 de setembro a 1º de outubro. O resto do mês será ocupado por uma extensa turnê pelos Estados Unidos. Nessa viagem levará Ed Motta e Leila Pinheiro para abrirem suas apresentações. Em outras palavras, é uma maneira de apresentar os dois artistas brasileiros ao público americano.
Em novembro, de volta ao Brasil, faz três noites – de 9 a 12 – no Directv Music Hall (antigo Palace), em São Paulo. Na mira do empresário de Ivan Lins está um roteiro que tem início em Porto Alegre, passa por Curitiba, Brasília e termina em Salvador. ‘‘A dificuldade é a gente conseguir datas nos teatros’’, lamenta o compositor.

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