Um novo olhar sobre o modernismo
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terça-feira, 09 de maio de 2006
Raul Juste Lores<br> Folhapress 
Londres - Há duas décadas, o príncipe Charles dizia que os arquitetos modernos tinham feito mais estrago à paisagem londrina que os bombardeios da força aérea nazista. Muitos compatriotas concordaram. Edifícios como o Barbican e o National Theater, dos anos 70 e 80, desagradavam os locais. Charles defendia os estilos belas-artes dos séculos 18 e 19.
Hoje, sabe-se que para o herdeiro britânico beleza não é fundamental. E o modernismo está em alta no Reino Unido. Não só pelo sucesso de Norman Foster na paisagem de Londres.
Uma grande exposição no Victoria & Albert Museum é dedicada ao movimento que pretendia redesenhar o mundo. Suas salas estão repletas de maquetes e objetos desenhados pelos pais do modernismo, como Le Corbusier, os diretores da escola alemã de artes Bauhaus, Walter Gropius e Mies van der Rohe, e Marcel Breuer, entre outros.
A exposição foca o momento heróico do movimento moderno, que vai de 1914 a 1939. Com os horrores da Primeira Guerra Mundial e a influência da utopia comunista da Revolução Russa, uma geração de arquitetos e artistas quis provar que o design e a tecnologia poderiam transformar a sociedade.
Os modernistas foram muito influenciados pelo pai da indústria automobilística, o americano Henry Ford. A linha de montagem e a produção em massa poderiam democratizar o acesso a bens de consumo e facilitar a vida dos trabalhadores. A negação do passado tinha uma defesa moral. Trocar ornamentos por austeridade significava ir ao essencial, ao uso honesto dos materiais.
Há diversas obras na exposição que mostram essa fúria criativa e o espírito social do movimento.
Assim como o comunismo, o modernismo mostrou logo suas limitações. A arquitetura sozinha não conseguiu mudar o mundo. O sucesso da exposição levou detratores do movimento a ressuscitar críticas ferozes ao modernismo, como a publicada no jornal The Guardian, pelo crítico Robert Hughes. Arquitetos adoram os conjuntos habitacionais de Le Corbusier. Os infelizes que moram lá, não, escreveu.
Para um dos maiores responsáveis pela redecoberta do modernismo no mundo, o americano Terence Riley, essas críticas são absurdas. Riley dirigiu durante 14 anos o Departamento de Arquitetura do MoMA, em Nova York. À reportagem, ele afirmou que o modernismo é a esperança de que o futuro possa ser melhor que o passado. No seu momento heróico, os modernistas radicais, como Ícaro antes, foram longe demais. Pós-modernistas achavam que o passado era a resposta. Só que essa premissa ficou com cara de Disneylândia, diz ele. Segundo Riley, é perigosa a arrogância de achar que não se pode melhorar o que já foi feito.


