As casas de madeira da Vila Casoni, as praças em forma de meia lua do bairro Shangri-lá, os detalhes no cemitério do Patrimônio Heimtal e a visão dos vales na estrada da Colônia Coroados são alguns dos pontos de um roteiro histórico da cidade que o leitor aventureiro irá desbravar ao longo das páginas do ''Guia do Patrimônio Cultural de Londrina''.
O livro, de autoria do pesquisador Humberto Yamaki, traz 12 roteiros de passeio pelo município variando de caminhadas de alguns quarteirões no Centro Histórico a jornadas de vários quilômetros para conhecer os lugares marcados pela memória dos primeiros habitantes da região. Para o autor, muitos visitantes resumem o roteiro turístico da cidade ao Lago Igapó, Zerão e Shopping Center.
O livro propõe alternativas. Além de revisitar edificações e locais consagrados, procura resgatar o patrimônio esquecido e acompanhar aqueles em construção. O objetivo, segundo ele, é ''instigar novos olhares sobre a paisagem cultural'' e ''descobrir outras Londrinas''. Ilustrado com fotos, o volume inclui até um surpreendente mapeamento de cheiros da cidade.
''O cheiro é elemento de ordenação espacial e de relação com o lugar, permitindo identificar e complementar as informações visuais'', assinala ele, que apresenta um levantamento olfativo de quatro quarteirões da zona central do município. Para Yamaki, é possível escrever a história das cidades pelos odores.
''A Londrina pioneira tinha cheiro de fumaça das queimadas'', salienta. ''Relatos da época descrevem que as cinzas caíam continuamente e transformavam o sol em uma 'bola vermelha'. Pouco depois o cheiro de madeira das serrarias tomaria seu lugar. Nas décadas que se seguiram, no auge do plantio do café, o perfume das flores impregnava o ar e se transformava num grande evento olfativo. Quase oitenta anos se passaram e a leitura de jornais permite observar que, infelizmente, os cheiros percebidos pela comunidade resultam em sua maioria em reclamações: queimadas, lixo, esgoto, bueiros, odores industriais e sujeira das pombas''.
Preocupado em vincular turismo a patrimônio cultural, o pesquisador lamenta a velocidade com que o passado é apagado. ''Durante muito tempo, a demolição e reconstrução foram consideradas símbolo de otimismo e dinamismo na região. Em seus 75 anos, Londrina teve 5 Rodoviárias, 3 igrejas matriz, 3 ferroviárias. O piso da Avenida Paraná foi substituído quatro vezes. Ainda assim, não faltam propostas de substituição do piso atual do Calçadão por materiais mais 'modernos'. No imaginário da população, o fato de ser uma cidade nova justifica a anulação das marcas do lugar''.
O livro tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). A maioria dos 1.500 exemplares serão distribuídos em escolas, bibliotecas, universidades e centros de pesquisa. E uma parte estará à venda, a partir da próxima semana, nas livrarias da UEL e do Museu Histórico de Londrina.

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