A Orquestra Sinfônica do Paraná que está sem maestro desde a saída de Jamil Maluf, na primeira quinzena de setembro, deverá encerrar o mês com um novo titular: Alessandro Sangiorgi, o regente que dirige o concerto da OSP desta manhã, às 10h30, no grande auditório do Teatro Guaíra.
Talvez pela primeira vez na história da orquestra, houve unanimidade entre seus membros na escolha de um nome para ocupar a direção. Eles sugeriram o nome de Sangiorgi à direção do Teatro Guaíra, prontamente acatado. Houve os primeiros contatos e agora o acerto está na fase da finalização. Tudo leva a crer que tenha um final feliz.
Com este concerto é a sexta vez que o maestro trabalha com a sinfônica paranaense. O primeiro encontro aconteceu em 1994, com o recital da cantora lírica Eva Marton. ''Eu não conhecia a orquestra, não sabia o que podia esperar. Mas foi tudo mágico, aconteceu o melhor possível. Para mim foi fantástico e conservo até hoje uma lembrança muito bonita. Foi uma coisa que realmente ficou'', disse ele para a Folha2, na tarde de sexta-feira.
Apesar de ainda estar em fase embrionária, a contratação de Alessandro Sangiorgi começa a ficar definida. Tanto assim que ele brinca com amigos: ''Um dos problemas que poderia acontecer é que namoro é namoro, e casamento é casamento''. Afinal, desde 1998 ele vem todos os anos a Curitiba, e recentemente esteve no Festival de Cascavel e estará em Toledo, nos próximos dias. Sempre com a OSP.
O lado mais difícil a ser discutido é o financeiro, mas nada impede que se chegue a um acordo. Sangiorgi confessou estar disposto a ceder em algumas questões motivado pelo carinho que tem pela orquestra. ''Não posso fazer a desfeita de dizer que não aceitarei o convite porque não irei receber o que gostaria. A unanimidade dos músicos em me escolher tem um peso muito grande''. No final de novembro acontece a última rodada das negociações.
Ele confirma que o valor sentimental está sendo fundamental em suas decisões. Atualmente Sangiorgi dirige uma escola de música municipal numa cidade próxima a Milão, na Itália, e paralelamente tem seus compromissos artísticos na Europa. Desde que se torne o titular da OSP terá que abrir mão de diversas atividades especialmente no verão europeu , para voltar-se aos trabalhos realizados aqui.
''Estou montando a agenda de tal forma que praticamente todo o tempo que tenho disponível para reger, será dedicado a Curitiba'', contou. Entende Sangiorgi que a sinfônica precisa dar um passo à frente ''e provar que essa maturidade que está demonstrando tanto artística como em grupo, é o tipo da maturidade que abre portas para subir mais um degrau em termos de qualidade''.
Para que isso aconteça ele quer estar presente ''de forma maciça''.
Idéias é que não faltam para o regente, tanto no aspecto artístico a vinda de solistas e maestros de reconhecimento internacional como também nas diversas possibilidades de se buscar recursos para dar impulso a projetos mais ambiciosos. Parcerias poderiam ser formadas, mas ainda é cedo para detalhar esses planos se nem o contrato ainda foi assinado.
E os projetos estão concluídos até que data? À pergunta, Sangiorgi ri:
''Por superstição, para não dar azar, pensei num projeto 2002. Isso quer dizer que, automaticamente, pode-se ter um projeto 2010. Uma vez acertada a direção e feitas as conclusões depois de um ano de trabalho, com os devidos acertos naquilo que precisa ser consertado, as temporadas futuras serão apenas consequências. Mas para o futuro, tudo ainda são possibilidades, nada é concreto''.
A Orquestra Sinfônica do Paraná sobe ao palco do Guairão neste domingo, para apresentar um programa operístico: há árias de ''Carmen'' (Bizet), de ''Cavalleria Rusticana'' (Mascagni); de ''Manon Lescault'' (Puccini); de ''O Morcego'' (Strauss), etc. Mas o mais interessante é a primeira audição que ocorrerá no Paraná e uma das poucas em todo o Brasil de ''Capriccio Sinfonico'', de Puccini. Foi uma peça que o compositor escreveu para sua formatura no conservatório, e que permaneceu praticamente inédita por muito tempo. Embora não tenha sido extraída de uma ópera, ela traz o gens de ''La Bohème'': num determinado movimento tem-se a música da ópera que viria mais tarde e se consagraria entre as favoritas em todo o mundo.

mockup