UM NOBRE SEM PASSADO
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
De repente um homem criado a vida toda feito animal na solidão de uma torre, acorda dentro de um palácio, vestido como nobre. Pela falta de contato com o mundo ele nada sabe de seu passado, nem o que faz ali, mas o povo descobre ser ele um príncipe que o pai mandara trancafiar logo após seu nascimento. Esse homem atordoado com a vida atravessa a sua estupefação no enredo de A Vida É Sonho, que estréia hoje, às 21 horas, no Teatro Cléon Jacques do Centro de Criatividade, em Curitiba.
A peça é uma adaptação de Edson Bueno, um dos melhores dramaturgos paranaenses, que também assina a direção. O texto de Calderon de La Barca, escrito em meados do século XVII, mantém o fascínio através dos tempos. Nos papéis principais estão os atores Sergio Medeiros, que interpreta o torturado Segismundo, e Áldice Lopes como o rei Basílio, seu pai. Completando o elenco estão Altamar Cezar, Marcos de Góes, Maíra Weber, Márcio Juliano, Wagner Corrêa, Tânia Araújo, Luciana Pinto e Fábio Costa.
O texto do espanhol Calderon discute valores, sem estar atrelado à demagogia. Ao criar uma obra onde se misturam o sonho com a realidade, o autor coloca em xeque as posições e papéis assumidos em nome de uma ética, ideologia ou convicção.
La Barca nos fala das distorções de uma sociedade calcada em caprichos, autoridades e ausência de amor, que impedem usufruir a vida em sua plenitude. Para o diretor, a atualidade do texto, escrito provavelmente em 1653, é latente. Nada pode ser mais contemporâneo num mundo em absoluta caoticidade de valores. E mais, quais possibilidades nos oferece a vida, em sua infinita aventura e destas, quais vivenciamos ou deixamos de vivenciar por incompetência, medo, narcisismo, preconceitos, ânsia de poder e mesquinharia. questiona.
O local é a Polônia, numa época muito antiga e indeterminada. Segismundo vive trancafiado numa torre, desde o seu nascimento, tendo Clotaldo como seu único contato humano. O responsável por isso é o rei Basílio, seu pai, que acredita poder ler nas estrelas. Basílio havia visto nos céus que seu filho seria um homem destinado a crimes e desgraças; um péssimo sucessor. Quando a rainha morre de complicações no parto, Basílio manda prender o recém-nascido e divulga ao reino que o príncipe morrera com a mãe.
Quando o relato começa, Basílio, que está velho e pensando na sucessão, é acometido por remorsos. Resolve, então, dar uma chance ao filho e colocá-lo à prova.
A Vida É Sonho. Estréia hoje, 21 horas, no Teatro Cléon Jacques, no Parque São Lourenço. A peça fica em cartaz até o final de junho, as sextas-feiras e sábados, às 21h e domingos, às 20h. Ingressos a R$ 10,00, R$ 8,00 (bônus) e R$ 5,00 (estudantes e classe artística). Mais informações: (41) 222-2876.Estréia hoje, em Curitiba, o espetáculo A Vida É Sonho, que conta história de um príncipe que passou toda a vida trancafiado a mando de seu pai
Divulgação/Roberto ReitembachMontagem põe em xeque as posições e papéis assumidos em nome de uma ética, ideologia ou convicção





