Um músico de vários nomes e muita história
UM MÚSICO
DE VÁRIOS NOMES E
MUITA HISTÓRIA
O compositor, regente, instrumentista e arranjador paranaense, que faz show hoje, conta um pouco de suas inúmeras histórias
Marcelo AlmeidaWaltel Branco, que deu aulas de violão para Baden Powell e fez arranjos para João Gilberto, apresenta-se hoje em CuritibaTocou com
Nat King Cole e
Dizzy Gillespie
Elisa Marilia Carneiro
Waltel Branco, Waltel Blanco ou Walter Blanco, muitos nomes para um músico eclético. Compositor, regente, arranjador e instrumentista tem sua vida marcada pela música e pelo erro do cartorário de Paranaguá, onde nasceu por acaso. Seu nome deveria ser Walter Branco. Em casa todos me chamam de Walter, só fui descobrir que era Waltel muitos anos depois, conta divertido.
Aprendeu música com o pai maestro e militar, Ismael Branco e com o tio Carretel. Aos sete anos tocava violão clássico. Cresceu entre Campo Grande (MS) e Rio de Janeiro, onde o pai serviu como militar. De lá, correu mundo tocando e compondo para muita gente famosa. Hoje, vive em Curitiba, cidade que escolheu para morar.
No alto de sua simplicidade e simpatia, Waltel Branco conta que trabalhou com Nat King Cole, Freddie Cole, Cazuza, Ivan Lins, Baden Powell, Cauby Peixoto, Tim Maia, Agepê, Djalma Dias, João Gilberto e por aí afora, além de ser, por muito tempo, o responsável por todas as trilhas sonoras das novelas da Rede Globo.
Trabalhar com toda essa gente é muito fácil. Quando a gente é escolhido como produtor de um músico, ele acredita na gente. No Brasil, é que é um pouco mais difícil. Aqui contratam um produtor e querem ensinar a gente a trabalhar, reclama.
Professor de arranjo da Universidade Federal de Santa Catarina, e de violão da Oficina do Talento em Curitiba, está empenhado atualmente num trabalho conjunto com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Estamos fazendo poemas sinfônicos, musicalizando poesias.
Viveu dois anos em Cuba, no final da década de 50, trabalhando com arranjos para a cantora cubana, Lia Ray. Com ela viajou o mundo todo, fazendo-se conhecido. Em Nova Iorque, onde esteve entre 1959 e 1960, acompanhou Dizzy Gillespie, um dos mais famosos músicos de jazz americano. Nessa época, toquei muito com o Nat King Cole, fiz arranjos para o irmão dele Freddie, que gravou um disco todo em português e espanhol.
Inquieto, embora de temperamento calmo e meditativo, sempre se dedicou à música clássica e popular com o mesmo interesse. Daí a sua formação eclética. Entre os maestros com os quais estudou, incluem-se Paulo Sila e Cláudio Santoro (composição), Alceu Bocchino e Mário Tavares (regência), Sebastião de Oliveira, Othon Saleiro e Oscar Cárceres (violão).
Dos brasileiros da MPB, Waltel compôs arranjos para Orlando Silva, João Gilberto, com quem trabalha desde criança - Fomos criados juntos -, Tom Jobim, Cazuza, Chico Buarque, Milton Nascimento. Foi também professor particular de Baden Powell, no Rio de Janeiro. Era um ótimo aluno, principalmente de violão clássico, lembra.
Em Curitiba compõe com Alice Ruiz, pelas mãos de quem veio definitivamente para Curitiba. É consultor musical da Fundação Cultural de Curitiba, onde pesquisa o fandango com o professor Inami Custódio e responde sobre assuntos de música.
Os próximos projetos incluem a gravação do Poema Sinfônico ao Rio Iguaçu e as apresentações do Projeto Música na Cidade, nos bosques e parques de Curitiba, acompanhando a cantora Norma Cecy.
Hoje, Waltel e Norma estarão se apresentando no Teatro Universitário de Curitiba (TUC), na Galeria Júlio Moreira, às 21 horas, com ingressos a R$ 10,00. No repertório, composições de Alice Ruiz, o Poema ao Rio Iguaçu e Canção para Curitiba.





