Aos 32 anos, Mehmari já carrega um currículo digno de um grande pianista. E também de compositor premiado, arranjador, produtor, multiinstrumentista. Uma de suas mais recentes empreitadas foi a criação de um selo, o Estúdio Monteverdi. Além do álbum Miramari - que deve ser lançado na Europa no segundo semestre -, ele está escrevendo arranjos de músicas brasileiras para um trio de mulheres norte-americanas de ascendência coreana, vai relançar o premiado ''Contínua Amizade'', parceria sua com o bandolinista Hamilton de Holanda (com quem deve lançar outro disco até o final do ano) e planeja registrar em CD as canções que compõe com regularidade.
Essa rotina que emana música o tempo todo não é novidade na vida de Mehmari. Aos 8 anos ele descobriu o improviso, aos 13 integrava grupos de jazz em casas especializadas e aos 21 ganhou o Prêmio Visa de MPB Instrumental. Sua índole autodidata (ele aprendeu a compor e fazer arranjos sozinho) e a opção pelo improviso afastaram-no das aulas convencionais e de uma carreira de concertista (''não tenho a disciplina necessária'', admite), mas o libertaram para vivenciar uma música sem rótulos. ''É besteira dividir a música em blocos. A música são milhares, e cada uma tem uma razão de existir. Não poderia me enquadrar, seria uma futilidade'', sustenta.
Mas o músico também encontra tempo para outras atividades. Além de ávido leitor, ele tem a fotografia como um hobby que leva até um pouco a sério - são suas as fotos que ilustram seu primeiro disco completamente autoral, ''...de árvores e valsas''. ''A música não me tira tempo. É bastante exigente, mas não me impede de viver outras coisas'', garante Mehmari, provando que o tempo se prolonga através das notas. (A.I.)

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