Elogio de lá, elogio de cá. De lá, do alto Xingú, mais precisamente da tribo dos índios Camaiurás, o pajé Sapaim diz: ‘‘Os espíritos me ensinaram a enxergar as pessoas boas e as pessoas ruins. Quando ele tocou falei: você, agora, é grande amigo do paj钒. Do lado de cá, o multiinstrumentista Egberto Gismonti que se refere ao grande amigo como ‘‘mentor espiritual e musical’’. ‘‘Você já viu sentimento hoje em dia durar quase 20 anos? É isso’’. E assim os dois tornaram público os laços de amizade e musical durante o 6º Percpan, Panorama Percussivo Mundial, realizado no final do mês passado em Salvador.
Mas o brilho desse cara de longos cabelos sempre presos a um gorro, não seria menor se tivesse se apresentado sozinho. Nos mais de 50 discos já lançados em 38 países, nesses quase 30 anos de carreira, Gismonti sempre imprimiu sua inquietude, sua ousadia, sua brasilidade, enfim, sua genialidade. O reconhecimento internacional é inquestionável. Entretanto, foi o Brasil, um país com ouvido musical aguçadíssimo mas que desdenha bastante a música instrumental, que deu a Gismonti, por duas vezes, o disco de ouro por vendagens expressivas.
Proprietário de discos antológicos como, ‘‘A Dança das Cabeças’’ e ‘‘Carmo’’ (ambos de 77), ‘‘Corações Futuristas’’ (76) ou mesmo ‘‘Nó Caipira’’ (78), só para citar alguns, Egberto Gismonti, no entanto, é taxativo ao afirmar que o Brasil é cego. ‘‘É cego porque não está vendo o tesouro que lhe pertence que é o próprio Brasil’’ diz ele se referindo à riqueza cultural como um todo. A seguir os principais trechos da entrevista que Gismonti concedeu à Folha 2, horas antes de se apresentar com os índios Camaiurás, no Percpan.
Como foi ou por que foi que você tomou contato com os Índios Camaiurás, do Xingu?DivulgaçãoEgberto Gismonti e o pajé Sapain: entendimento musical e amizade que já duram 20 anosAntônio Mariano Júnior

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