A abertura da exposição ''O Design no Impasse'', com obras populares do acervo da arquiteta italiana Lina Bo Bardi, e o lançamento da 6 Feira Nordestina de Londrina, marcam hoje o início de uma nova proposta da Secretaria de Cultura de Londrina para o Museu de Arte da cidade. A idéia é trabalhar o conceito de ''museu vivo'', dando ênfase ao caráter participativo de artistas e comunidade.
Para o secretário de Cultura, Bernardo Pellegrini, a Festa Nordestina - que começa no dia 29 - abre esse projeto como uma instalação que vem transformar o museu em equipamento público. ''O museu é para ensinar a população a conviver com a arte'', diz. Para coordenar o processo de transformação, o secretário nomeou ontem a funcionária de carreira da prefeitura, Sandra Jóia, 40 anos.
Frente à direção do museu, ela estará trabalhando em conjunto com um conselho gestor formado pelos artistas plásticos Fernanda Magalhães, Rubens Pillegi Sá, Paulo Menten e o coordenador da Incubadora de Projetos da Secretaria de Cultura, Valdir Grandini. O grupo irá se reunir mensalmente para discutir e planejar ações para o museu.
Funcionária pública municipal há 21 anos, Sandra Jóia não tem formação específica na área. Ela é graduada em Pedagogia com especialização em Literatura Infantil e Orientação Educacional. Sandra atuou em projetos da Biblioteca Pública Municipal e Infantil e, em 1997, foi destacada para trabalhar no Museu de Arte. No ano seguinte, assumiu a diretoria de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural da Secretaria de Cultura.
Para a nova diretora, a idéia de museu vivo passa por ações culturais constantes voltadas para a população. ''Vamos administrar o museu para a comunidade, não para uma pequena elite'', alfineta. A 1 Conferência de Cultura, na opinião de Sandra Jóia, será a grande chance de abertura para a comunidade enxergar a Cultura como política pública. ''As áreas vão estar discutindo, se norteando e buscando o que a comunidade quer. Uma política de discussão e entendimento'', comenta. ''Os artistas precisam entender que vamos trabalhar o conceito de Cultura através da participação da comunidade''.
O secretário Bernardo Pellegrini também sugeriu uma série de projetos para a direção e o conselho gestor. A maioria deles está em discussão. Sandra Jóia conta, por exemplo, que inicialmente a idéia é dar continuidade aos projetos de arte-educação visando a formação e a informação (como o projeto Museu Arte e Cultura, que até julho propiciou atividades a 3.800 crianças e pessoas da terceira idade). Integrar o Museu ao trabalho de revitalização do eixo histórico de Londrina e à Rede da Cidadania é outra proposta.
Duas medidas devem ser concretizadas em caráter emergencial, com o objetivo de melhorar o atendimento ao visitante: a qualificação e capacitação de funcionários do museu e a contratação de estagiários de cursos de artes para dar monitorias. ''Queremos qualificação na área artística e começamos fornecendo aos funcionários referências básicas sobre acervo, definições, história da arte e técnicas de arte''.
Para outubro, estão programadas a exposição histórica de fotos ''Triângulos Roxos As Vítimas Esquecidas do Nazismo'', abordando a 2 Guerra Mundial, e a instalação da Pocket Galeria, uma idéia do artista Paulo Menten de fazer pequenas exposições mensais de obras de artistas da cidade.
A equipe do museu pretende trabalhar ainda na política de seleção e aquisição de obras de arte - hoje o acervo de obras tem 176 peças - com base em critérios pré-estabelecidos. Outro plano é melhorar o acervo da videoteca e da da biblioteca de arte, fazendo parcerias com outras instituições (hoje, o Museu de Londrina conta com 805 livros, 537 folhetos, 11 monografias, 37 títulos de periódicos, uma hemeroteca com 1.358 recortes de jornal e 58 fitas VHS).
Sandra Jóia frisa que todo esse processo de transformação do museu parte da idéia de conjugar a preservação e a divulgação de um patrimônio artístico-cultural com o desenvolvimento de atividades participativas. ''Não acreditamos que um museu tenha que oferecer só visitação de acervo. Pensamos em dinâmica, em ações interligadas. Por isso vejo o 'administrar' como dirigir, envolver parceiros, movimentar recursos e programar atividades visando o bem comum''.

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