O início do próximo milênio poderá devolver a Alexandria o esplendor da cidade que abrigou uma das sete maravilhas do mundo. Além do novo Farol, o governo do Egito também planeja construir um museu submarino nas ruínas da antiga cidade que foi submersa por terremotos e inundações há mais de 1.600 anos. Se os dois projetos forem concluídos, a cidade erguida na margem esquerda do Delta do Nilo por Alexandre o Grande, em 331 a.C., certamente se transformará numa nova opção turística. Além das novidades, Alexandria tem um rico passado histórico, incluindo museus e bibliotecas. Antes da invasão dos árabes, em 641 d.C., a biblioteca local tinha um arquivo de 700 mil itens, herança da cultura helênica.
O curioso é que são os franceses que estão impulsionando todo esse processo de projetos e pesquisas em direção a redescoberta de Alexandria. Jacques Darolles, diretor do Centro Nacional de Arte e Tecnologia de Reims, é o arquiteto responsável pelo novo Farol, o qual é resultado de oito anos de planejamento. Já o arqueólogo Franck Goddio é o coordenador das pesquisas que estão despertando grande interesse pela antiga cidade portuária do Mediterrâneo. Sem contar que o Canal de Suez, concluído em 1869, também foi o sonho de um francês, Ferdinand de Lesseps.
A construção do Farol recebe apoio unânime. Será um obelisco de 145 metros de altura, e formará um conjunto arquitetônico moderno com a nova biblioteca de Alexandria e com o Palácio dos Congressos. Darolles apresenta seu projeto como um símbolo de modernidade, cuja iluminação à base de raio laser será controlada por computador. Já o museu submarino, mesmo tendo sido aprovado pelo Conselho Superior de Antiguidades terá que provar a sua viabilidade como atração turística para que o suporte econômico seja garantido. Mas não falta entusiasmo para o projeto, principalmente porque foram resgatadas estátuas onde seria o palácio de Cleópatra.
Como nem todo tesouro histórico poderá ser trazido para a superfície, reside aí a grande atração do museu submarino. Os visitantes teriam que percorrer os túneis transparentes do parque submarino para conhecer as riquezas da arqueologia egípcia. Para o chefe do Departamento de Arqueologia, Ibrahim Darwish, a construção do museu, o primeiro que mostrará tesouros da antiguidade embaixo d’água, certamente colocará novamente Alexandria no mapa do turismo mundial.Tesouros submersosArqueólogos resgatam estátua de mais de 2 mil anos no porto de Alexandria: projeto de museu submarinoEdnelson Alves
Especial para a Folha

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