VISUAIS -

Um muro que conta a história

Saiba detalhes das telas fixadas no muro do Cemitério São Pedro

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

As telas instaladas no muro do cemitério têm 2,80 metros de altura e 3 metros de largura: o material impresso em glicée tem durabilidade de um a dois anos
As telas instaladas no muro do cemitério têm 2,80 metros de altura e 3 metros de largura: o material impresso em glicée tem durabilidade de um a dois anos | Gustavo Carneiro
 


Primeiro foi o graffiti.  Agora são as telas de glicée que transformam o muro branco do Cemitério São Pedro, em espaço dedicado à arte. A intervenção artística é feita com a colagem de telas em glicée, material que resiste ao tempo e está no muro da Rua Professor João Cândido.  Ao todo, as 50 telas do artista plástico Carlos Kubo servem também para comemorar o aniversário da cidade, em 10 dezembro. A ação é uma parceria entre a Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (ACESF). Kubo cedeu todas as telas, assim como fez com os tsurus, símbolos de longevidade, instalados no Calçadão em 2018. 


O giclée é uma técnica de impressão de alta qualidade feita em tecido, que reproduz obras originais em tamanhos maiores. As telas que já estão sendo instaladas no muro do cemitério têm 2,80 metros de altura e 3 metros de largura. A instalação começou na última sexta-feira (29), e foi adiado em um dia por causa da chuva na semana passada.




A administradora da ACESF, Fabiana Borelli Amorim, conta que a ação integra o projeto Galeria a Céu Aberto. “O muro do cemitério passou por reforma recentemente e a intenção é transformar o espaço em um ponto de manifestações culturais, promovendo a aproximação e o contato da população com a arte”, disse.


Como uma verdadeira aula a céu aberto, as 50 fotos que compõem o cenário representam o desenvolvimento de Londrina desde sua fundação, como a chegada do primeiro trem à cidade, em 1935, e a do primeiro avião no ano seguinte; a Catedral Metropolitana, inaugurada em 1934; a Estação Ferroviária sendo construída, em 1949; a pavimentação da cidade e imagens da região central nos anos 1950; a inauguração do Hospital Santa Casa, em 1944; o primeiro jogo do Londrina Esporte Clube, em 1956; dentre outros.



Instalação traz recortes dos anos 30 até os anos 70
Instalação traz recortes dos anos 30 até os anos 70 | Gustavo Carneiro
 


São 85 anos de história


Assim, quem passar pela região do Cemitério São Pedro, no centro de Londrina, vai poder se encantar com a história dos 85 anos de Londrina. A previsão é que a instalação seja concluída até o dia 10 de dezembro, em tempo do aniversário da cidade. A intervenção nas fotos do desenvolvimento de  Londrina foi uma ideia que se consolidou a partir de uma conversa informal entre o artista e o secretário da ACESF, Leonilson Jaqueta, que sempre quis transformar o muro do cemitério em um painel com fotos de cidade.


A parceria ainda ganhou o apoio da Prefeitura e das empresas privadas Winn Fashion, Epson e da emissora de televisão RPC. A aplicação de cores nas fotos em preto e branco é uma forma de imprimir o estilo do artista, mas também de chamar atenção para o trabalho que estará exposto em uma extensão de 200 metros de concreto. “O trabalho foi a partir do que existe, sem modificar, e fazendo interferências com cores.” afirma Carlos Kubo.


Para escolher quais fotos compõem o cenário, Kubo fez um recorte dos anos 30 até os anos 70. Depois a seleção passou por critérios artísticos, já que nem todas as fotos encontradas tinham uma boa resolução. O resultado são trabalhos que vão desde a fundação do município até o primeiro jogo do LEC (Londrina Esporte Clube). O material impresso em giclée tem durabilidade de 1 a 2 anos, o clima quente desta região contribui para o desgaste da tinta. “Embora seja perene, dá a possibilidade de outros artistas fazerem o mesmo", disse Kubo. O artista ainda acredita que a iniciativa acaba sendo uma forma de agradecer a quem veio antes. “Alguém fez alguma coisa para nós termos o que temos hoje", reflete. 


* Colaborou Tamiris Santos.



Continue lendo


Últimas notícias