Arquivo FolhaGigantescaItaipu, a maior obra já construída pelo homem, tem atrações tão interessantes quanto fabulosas como as cataratas artificiais do vertedouro da usina ou a barragem de dimensões colossais.Imagine uma empresa tão grande que os seus funcionários tenham que usar bicicletas para ir de uma sala a outra. Esse lugar existe e é um lado pouco conhecido de uma das principais atrações turísticas do mundo. As instalações, os equipamentos e a rotina diária da Hidrelétrica de Itaipu - a maior obra já construída pelo homem - são atrações tão interessantes quanto as fabulosas cataratas artificiais do vertedouro da usina ou a sua barragem de dimensões colossais.
Para conhecer a estrutura interna da hidrelétrica - na chamada visita técnica -, é necessário agendar o passeio com, no mínimo, 15 dias de antecedência. O visitante precisa ter mais de 14 anos, preparo físico e disposição para suportar um calor que chega a superar 40 graus, além do barulho constante. A visita técnica dura duas horas e meia e é oferecida duas vezes por dia - com início às 9 horas e às 15 horas. Nessas visitas, o turista conhece a casa de máquinas, as salas de comando do sistema e de despacho de energia e entra nas imensas estruturas de concreto que sustentam a barragem que represa o Rio Paraná.
O passeio começa no Centro de Recepção de Visitantes. Depois de assistir a um vídeo sobre a usina, os grupos de turistas são levados, de ônibus, até a barragem. Um guia, com dados sobre Itaipu na ponta da língua, acompanha cada grupo. A primeira parada, de dez minutos, é no vertedouro (um conjunto de três rampas por onde escoa a água excedente do reservatório, que não é usada na geração de energia).
A visita técnica, na verdade, começa alguns minutos depois, quando um elevador gigante, com capacidade para até 42 pessoas, conduz o visitante a um mundo de superlativos. Na parada, poucos metros abaixo da superfície, entra-se em um gigantesco corredor, com um quilômetro de extensão, que faz a ligação entre uma infinidade de salas que compõem a casa de máquinas. Para ir de uma turbina a outra, os técnicos usam bicicletas.
Labirinto de galerias Descendo vários lances de escada, o visitante chega às turbinas, gigantescas estruturas pelas quais passam, a cada segundo, 700 mil litros de água (o mesmo volume de água potável consumida pela população brasileira em um segundo). Aumentam o calor, o barulho (que chega a 94 decibéis) e a emoção.
Cada uma das 18 turbinas de Itaipu tem 27 metros de altura, oito de diâmetro e pesa 6,6 mil toneladas (o equivalente a 16 mil Fuscas). É possível ver o eixo da turbina, que tem 2,60 metros de diâmetro, dar 93 voltas por minuto para gerar energia.
Mais vários lances escada abaixo e depois de cruzar um labirinto de galerias, corredores e grandes máquinas, chega-se à Sala de Comando Geral. É uma espécie de aquário de vidro, onde dezenas de técnicos, cercados por computadores e painéis, comandam todas as operações da hidrelétrica. O guia Adelar Della Torre ensina ao grupo de visitantes que esse setor é o ‘‘cérebro’’ de Itaipu. Como todo cérebro, funciona 24 horas por dia.
A próxima parada é a sala de despacho de energia. Mais computadores e um número ainda maior de painéis. Esse setor libera a energia para o sistema atendido por Itaipu - os dez Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e o Distrito Federal - e 70% da demanda do Paraguai. Técnicos brasileiros e paraguaios dividem esse espaço, como todos os outros dentro da usina.
Volta de ônibus Depois de ter descido a até 52 metros abaixo da superfície, o visitante volta a ela para conhecer as gigantescas galerias de cimento que formam a barragem de 196 metros de altura e oito quilômetros de extensão. Com o cimento utilizado em Itaipu daria para se construir 210 estádios iguais ao Maracanã ou uma cidade para 4 milhões de habitantes (mais de duas vezes a população de Curitiba).
A visita técnica é encerrada da mesma forma que a visita convecional (chamada de turística): com uma volta de ônibus pela ‘‘estrada’’ sobre a barragem. a visita turística é oferecida em mais horários, não precisa ser agendada com antecedência e são aceitos menores de 14 anos. O tempo de duração também é bem menor - 45 minutos, enquanto a visita técnica dura duas horas e meia. As quase duas horas de diferença entre uma e outra são muito bem aproveitadas.

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