Um mundo de papel
Iara Lessa
De Londrina
Especial para a Folha2
Ele está em toda parte. No banheiro, no restaurante, nas casas, espalhados pelas ruas, no trabalho, enfim, o personagem principal de nossa história, o papel - isto mesmo - pode ser encontrado, e com bastante facilidade, em diversos momentos do dia-a-dia. Ele serve para escrever, absorver, limpar, registrar, documentar, e, acredite, sentar, decorar, adornar, embelezar, melhorar a vida das pessoas e abrigar os sonhos criativos da artista plástica londrinense Kioko M. Morita, que utiliza papel para fazer móveis.
São cadeiras, camas, mesas, aparadores, banquetas, móveis para marceneiro algum botar defeito. A artista utiliza uma técnica própria, à base de papelão corrugado, cola, tinta, impermeabilizante e, muita, muita imaginação. Quando pensei em fazer o primeiro móvel em papel ninguém acreditou. Falavam que eu estava perdendo tempo, que não teria resistência, durabilidade, mas quando ficou pronto, deixei todo mundo de boca aberta, conta a artista. Aliás, a expressão é mesmo esta: ficar de boca aberta!
Depois de prontas, as peças recebem acabamento que pode ser em pátina, revestimento de outros tipos de papéis, tinta, ou até mesmo ficar com aquela aparência crua, que confere uma bonita rusticidade ao móvel. As possibilidades são inúmeras. Mas o mais importante é que os móveis são para ser usados e são até bem confortáveis. Não faz sentindo ter um cadeira na qual não se pode sentar.
O fascínio de Kioko pelas artes sempre existiu. Professora de Educação Artística em diversas escolas, graduada em Artes pela Universidade Estadual de Londrina, Kioko começou fazendo origami, depois passou para roupas de papel, acessórios e pequenos adornos. Mas o ato criativo pedia mais. Meu projeto é bem abrangente. Um dia fiquei pensando, você precisa de papel para nascer, morrer, viver, quantas coisas sobreviveram em papel. Por que não utilizar mais e mais esta matéria-prima tão barata, tão cheia de possibilidade?, questiona a artista.
Resistência e durabilidade também são argumentos utilizados pela artista. No Japão, muitas construções utilizam papelão misturado ao concreto como base para alicerces. Lá, as paredes das casas são de papel. É apenas uma questão cultural. O papel é um material, que quando bem trabalhado, possui ótima resistência e dura bastante. Depois, pense bem quantas árvores podem ser salvas. Papel é ótimo e permite muitas variações, defende Kioko.
A técnica já rendeu a artista um certo reconhecimento fora de Londrina. Kioko participou com seus móveis da 4ª Exposição de Papel e Celulose, em Curitiba. Como uma coisa puxa a outra, a exposição em Curitiba rendeu novo trabalho, desta vez em São Paulo, onde a artista participou da montagem e coordenação de um stand na 30ª Expo de Papel e Celulose. A participação rendeu a Kioko prêmio de melhor comunicação visual.
Agora a artista leva seus móveis de papelão e escultura (adivinhe? também em papel) para uma sala de exposição do Hospital Albert Eisnten, em São Paulo. A exposição, que começa no próximo dia 18, prossegue até o dia 30 de novembro.Artista londrinense aposta no papelão como matéria-prima para fazer móveis
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