Um mundo de livros
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quarta-feira, 24 de abril de 2002
Francelino França Reportagem Local 
A 17ª Bienal Internacional do Livro o maior evento do setor editorial da América Latina começa hoje em São Paulo e deve movimentar a cidade até o dia 5 de maio, no Centro de Exposições Imigrantes, ocupando um espaço de 45 mil metros quadrados. Mais de 120 escritores devem circular pelo local. Para essa edição, 830 expositores nacionais e estrangeiros disputam num autêntico corpo a corpo o público sedento por novidades e livreiros de todo o País.
A indústria editorial brasileira figura na terceira posição na América Latina e é a oitava do mundo. O faturamento das editoras atingiu no ano de 2000 R$ 2,26 bilhões, mas a marca é relativizada ao considerar que a quantia representa um crescimento do setor de 0,5% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
A Bienal do Livro está em terceiro lugar no ranking do gênero, perdendo apenas para as feiras de Frankfurt, na Alemanha, e da Book Expo America, nos Estados Unidos, que funcionam apenas para representantes do mercado editorial.
Na Bienal, o Salão de Idéias um espaço aberto ao público para conversas informais com os autores deve trazer os escritores conceituados em 66 eventos. O jornalista e escritor espanhol Juan Luis Cebrián, um dos fundadores do jornal El Pais e ex-presidente do Instituto Internacional de Imprensa, falará sobre o impacto dos avanços tecnológicos na área da comunicação e da informação. Seu livro, A Rede, traz a discussão sobre o impacto da nova sociedade digital. Outro evento programado para o Salão de Idéias é um recital de poemas de Carlos Drummond de Andrade, com a participação de Antonio Fagundes, Antonio Calloni e Cássia Kiss.
Dentre os destaques internacionais que desembarcam em São Paulo estão o filósofo francês Jean Baudrillard, considerado um dos mais importantes do pensamento social contemporâneo. Ele faz o lançamento do livro A Troca Impossível. Também de solo francês, a psicanalista Marie-France Hirigoyen lançará sua obra Mal-Estar no Trabalho: Redefinindo o Assédio Moral, que já vendeu mais de 30 mil exemplares na França. Seu primeiro livro lançado no Brasil foi Assédio Moral - A Violência Perversa do Cotidiano.
O escritor inglês de origem paquistanesa Tariq Ali, que nos últimos meses escreveu vários ensaios sobre os atentados de 11 de setembro, apresenta A Mulher de Pedra. Já a freira inglesa Karen Armstrong lança um livro sobre Maomé e o argentino Tomás Eloy Martinez, autor de O Vôo da Rainha, romance desenvolvido para falar sobre um dos sete pecados capitais: a soberba.
Dos escritores nacionais participam Zélia Gattai, Ignacio de Loyola Brandão, Carlos Heitor Cony e Lygia Fagundes Telles, figuras carimbadas em outras edições. Um dos segmentos da Bienal, o Salão da Travessa Literária, deve reunir escritores da nova geração, dentre os quais se destacam Marcelo Rubens Paiva, Fernando Bonassi, Marilene Filinto, Ana Miranda, Toni Belloto, Heitor Ferraz, Régis Bonvicino, Marcelo Coelho, Marçal Aquino e Marco Lucchesi.
Ariano Suassuna relança seu teatro com nova roupagem gráfica para as peças O Santo e a Porca e O Casamento Suspeitoso. Ferreira Gullar vem com dois ensaios em livro, já publicados pela imprensa: Cultura Posta em Questão e Vanguarda e Subdesenvolvimento.
17ª Bienal Internacional do Livro, de hoje até o dia 5 de maio. Rodovia dos Imigrantes (ao lado da pista ascendente, no sentido Litoral-São Paulo), km 1,5. Um sistema especial com linhas extras de ônibus gratuitos que sairão a cada 5 minutos do Metrô Jabaquara, a um quilômetro da Bienal. Horário de funcionamento: das 10 às 22 horas. Ingressos custam R$ 6,00 (adultos) e R$ 3,00 (estudantes com carteiras do ensino regular). Informações para o público pelo site www.bienaldolivro.com.br e [email protected] ou pelo telefone (11) 283-1866.


